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Norte-americanos chamados hoje às urnas: Trump ameaça bloquear agenda democrata perante risco de derrota nas “Midterms”

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Os eleitores norte-americanos são chamados hoje às urnas para redefinir a balança do poder político na Câmara dos Representantes e no Senado, nas chamadas Midterms. As eleições de meio de mandato, conforme os analistas, são cruciais para o presidente Donald Trump, que corre o risco de perder as maiorias republicanas nas duas câmaras do Congresso. Isto porque as projecções têm vindo a favorecer o Partido Democrata, oposição aos republicanos, sobretudo na disputa pela Câmara dos Representantes.

No Senado, a corrida apresenta-se mais competitiva, com os democratas a enfrentarem um caminho mais difícil para conquistar a maioria. Em disputa estão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 lugares do Senado e os governos de 36 Estados. Está em jogo o controlo do Congresso pelos próximos dois anos e, consequentemente, a capacidade de Donald Trump implementar a sua agenda política e legislativa durante a segunda metade do mandato.

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Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, conquistou 220 lugares na Câmara dos Representantes, contra 215 dos democratas. No Senado, os republicanos alcançaram a maioria, com 53 dos 100 lugares. Esta configuração garantiu ao partido do presidente o controlo das duas câmaras, facilitando a aprovação das suas principais iniciativas legislativas. Agora, os republicanos enfrentam o risco de perder a maioria na Câmara dos Representantes, segundo as projecções eleitorais. A concretizar-se esse cenário, Trump terá maiores dificuldades para levar avante as suas opções políticas e económicas.

A última sondagem Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (2), coloca o índice de aprovação de Trump nos 32 por cento, próximo do mínimo histórico de 31 por cento registado duas semanas antes. O levantamento revela ainda que 46 por cento dos eleitores registados manifestam preferência por candidatos democratas nas eleições legislativas, contra 38 por cento que optam pelos republicanos. Entre os eleitores independentes, metade considera o voto uma forma de oposição ao actual presidente.

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Perante a possibilidade de um desaire eleitoral do seu partido, Trump endureceu as suas declarações públicas. Numa entrevista ao New York Post, afirmou que, caso os democratas conquistem o controlo do Congresso, poderá tornar-se o “Senhor Veto”, ameaçando bloquear sucessivamente as iniciativas legislativas da oposição. O presidente norte-americano admitiu, contudo, que a estratégia poderá abrir caminho a negociações e acordos com os democratas, depois de um período de bloqueio legislativo.

Para mobilizar o eleitorado republicano, Trump também tem alertado para a possibilidade de os democratas avançarem com um processo de destituição (impeachment) caso recuperem o controlo do Congresso. O presidente enfrenta uma conjuntura política desfavorável, marcada pela insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida, agravado pela subida dos preços dos combustíveis associada à guerra contra o Irão, bem como pela contestação à actuação das autoridades federais responsáveis pelas operações de imigração.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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