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Justiça repete julgamento de jovem sistematicamente violada em El Salvador

O julgamento de Evelyn Hernández, jovem de 17 anos que foi sistematicamente violada que deu a luz a um bebé de oito meses, que terá nascido já sem vida, está agendado para a próxima segunda-feira. O autor da violação, ao que tudo indica, é membro de um gangue que ameaça da mãe da menina. A repetição do julgamento vai acontecer após várias manifestações de apoio populares e de instituições de defesa dos direitos humanos, inclusive do Women’s Equality Center na América Latina

Segundo uma reportagem publicada no Expresso.pt, Evelyn levava uma vida de menina como tantas outras. Vivia na pequena comunidade rural de El Carmen, em Cuscatlán, até que um dia foi violada. Com apenas 17 anos, guardou este segredo, que se ia repetindo, pois supostamente o agressor era membro de um gangue e terá ameaçado matar a sua mãe. A jovem ficou gravida, mas confundiu os sintomas com dores no estômago.

Em abril de 2016, enquanto tomava banho, deu à luz um bebé de oito meses já sem vida. Perdeu a consciência e muito sangue. Foi enviada para o hospital. A polícia encontrou, depois, o corpo e a autópsia revelou que o bebé tinha 32 semanas de gestação e que não resistiu a uma pneumonia adquirida, ou seja, uma infeção aguda do tecido pulmonar, escreve a mesma fonte, citando o jornal “El País”. Os especialistas não souberam dizer se o feto morreu dentro de Evelyn ou já depois do nascimento precoce.

El Salvador é um dos países mais severos no que toca a penalizar abortos. Ignora a natureza das gravidezes e até se foram detetadas complicações durante as mesmas, incluindo riscos de vida da mãe e deformações do feto. A pena para os “prevaricadores” pode ir até aos 40 anos de prisão. Evelyn foi condenada, em julho de 2017, a 30 anos de prisão, acusada de homicídio por aborto. A juíza não acreditou que a jovem não sabia que estava grávida. “Eu não queria matar o meu filho”, disse Evelyn em tribunal. Um grupo activista que combate esta lei prometeu recorrer da decisão. Afinal, acabava de ser condenada “sem nenhuma prova direta”, defendeu. “A condenação é injusta e vamos apelar. Este caso coloca em evidência o preconceito que existe e com o qual actua o sistema.”

“É uma sociedade muito religiosa e fortemente evangélica”, explicou ao diário britânico Paula Ávila-Guillén, diretora do Women’s Equality Center na América Latina. “Este caso será o primeiro a ser julgado depois de o novo Presidente ter assumido o poder”, diz, sugerindo que assim será possível compreender o rumo que terá El Salvador nos próximos tempos. Nayib Bukele, de 37 anos, prometeu “uma nova era”, colocando na mira a violência dos gangues e a corrupção.

“Estamos convencidos que a Evelyn é inocente”, disse à Reuters Ana Martínez, uma das advogadas da jovem. A lei do aborto vigora no país desde 1997 e visa inclusive as vítimas de violação e de incesto.

C/AFP

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