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Fotografia que expõe “cicatrizes” da guerra na Síria vence o Siena International Photo Awards

A fotografia ‘Hardship of Life’, captada pelo fotógrafo turco Mehmet Aslan, venceu o Siena International Photo Awards (SIPA) 2021. Os jurados consideraram a imagem “emocionalmente forte”. Já o fotógrafo espera que a imagem ajude o menino a encontrar os tratamentos médicos de que precisa.

De acordo com a reportagem do Notícias ao Minuto, o pai, Munzir al-Nazzal tem lutado para sobreviver desde que ficou ferido num bombardeamento num mercado. Fugiu para a Turquia onde a fotografia foi registada. Mas a sua maior preocupação não é com a perna que perdeu, mas sim com o futuro do filho de cinco anos que nasceu sem membros. O pequeno Mustafa nasceu sem pernas devido a uma doença congénita causada pelos medicamentos que a sua mãe tomou depois de adoecer devido a gases libertados durante a guerra na Síria.

“Queríamos chamar a atenção para isso”, disse o fotógrafo Aslan, que espera que a fotografia tenha um alcance que ajude a criança a conseguir tratamento médico adequado e próteses. “O menino tem muita energia. O pai parece ter desistido”, contou ainda, citado pelo The Washington Post.

Os jurados do concurso descreveram a fotografia – intitulada ‘Hardship of Life’ [A dureza da vida] – como “emocionalmente forte”. A imagem integrará agora uma exposição em Itália. “A imagem chegou ao mundo”, disse Zeinab, mãe do menino. “Há anos que tentamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas por qualquer pessoa que queira ouvir, para ajudar no tratamento. Daríamos tudo para lhe dar uma vida melhor”, completou. 

Segundo um balanço feito pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, cerca de meio milhão de pessoas morreram nos últimos dez anos na guerra da Síria. A guerra começou em 2011 com a repressão contra manifestações em Damasco pela implementação de regras democráticas e envolve, nos últimos dez anos, várias forças regionais e grandes potências, tendo também provocado milhares de refugiados. 

A intensidade dos combates diminuiu em 2020 com o cessar-fogo no noroeste da Síria, sobretudo em Idlib, último bastião dos radicais islâmicos, de onde a família de Munzir al-Nazzal fugiu. 

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