Economia

“Mindelo B2B Meeting”: Empresário brasileiro anuncia projectos Arquipélago Digital.cv e Escola Profissional.cv para S. Vicente

O brasileiro Gildo Neves Baptista, que integra uma delegação de empresários que se encontra na cidade do Mindelo a convite da Expoarte, no quadro do seu 25° aniversário, anunciou que está à procura de locais para a implementação em São Vicente dos projectos Arquipélago Digital.cv e Escola Profissional.cv. Esta informação foi avançada à imprensa à margem do encontro empresarial “Mindelo B2B Meeting”, que decorreu ontem no auditório da Câmara do Comércio de Barlavento. 

O encontro entre os empresários de São Vicente, Canárias e Brasil foi uma conversa informal para troca de informações e conhecimentos sobre a realidade desses mercados e que, conforme o presidente da CCB, constituem a área natural de expansão dos empresários nacionais, como é o caso da Macaronésia que, em termos de mercado, é “extremamente interessante”. “É um espaço de importações, mas também para a internacionalização dos nossos empresários. Mas, há ainda aqui à nossa volta todo o espaço continental, que também temos de saber explorar. E uma forma de o fazer é através de parcerias com empresas que tenham um outro ‘know how’, um músculo financeiro e outra capacidade de internacionalização”, afirmou Belarmino Lucas, destacando a presença de agremiações empresariais de grande qualidade e alcance, nomeadamente do Círculo de Confianza Empresarial Canárias. 

Foi antes do inicio desta conversa, que contou ainda com uma longa exposição do presidente da Feira Internacional de Cabo Verde, Gil Costa, que apresentou as oportunidades e potencialidades do mercado nacional, que o presidente do Grupo Teleport, voltado para as tecnologias de inovação e educação com foco na formação e ensino a distância, anunciou o Arquipélago.cv e a Escola Prisional.cv. “Estou aqui representando uma entidade que reúne empresas de tecnologia de informação do Brasil, a Assespro. São mais de duas mil empresas de tecnologias e estamos presentes em Pernambuco, São Paulo e Salvador da Baía. Viemos fazer a prospecção e investir em São Vicente”, frisou este empresário, que fez questão de garantir que se sentiu “em casa” esta semana no Mindelo.

De acordo com Gildo Neves Baptista, o seu grupo está à procura de um espaço para montar uma indústria de reciclagem de lixo electrónico, que considera ser uma “grande riqueza”, na medida em que se consegue transformar e reciclar este bem que, a priori, seria descartado. “Pensamos também trabalhar fortemente com formação técnica, que é a nossa praia do ponto de vista tecnológico, isto é, o e-learning. Ou seja, o ensino à distância, mas especialmente para este foco. Vamos entrar na formação para gerar novas empresas, no caso, teremos uma fábrica de startups de empresas a partir da formação. Isso significa que não vamos formar para o mercado de trabalho, mas para criar empresas”, explica. 

No fundo, o que a Assespro pretende é investir junto com estes novos empreendedores que vão sair dos cursos de formação. Aliado a isto, segundo Gildo Baptista, pretende fazer em Cabo Verde um polo similar ao que existe em Pernambuco, o Porto Digital, que é o “Vale do Silício” do Brasil. “O nosso Porto Digital reúne 349 empresas de base tecnológica, que facturam mais de dois bilhões de reais por ano. Fica numa pequena ilha com três por 1,5 quilómetros. A nossa ideia é criar aqui o Arquipélago Digital para fazer a ponte para construir esta sinergia com o Porto Digital. Este terá foco na reciclagem, formação e no ambiente de negócios”, informa este empresário, realçando que os projectos já estão no ar e não foram lançados apenas porque ainda não encontraram os locais físicos onde os alunos irão assistir as aulas. Um problema que espera resolver o mais breve possível. Aliás, ontem visitou um galpão na Zona Portuária, que acredita ser ideal para albergar a parte referente à reciclagem de lixo tecnológico. 

Canárias disponível para partilhar experiência e cooperar 

Ainda que mais contidos, os empresários das Canárias mostram-se também disponíveis para partilhar a sua experiência e cooperar com os seus pares de São Vicente, afirmou Avilio Ortega, presidente do Círculo de Confianza Empresarial, realçando que o objectivo ao integrar a delegação era vir a Cabo Verde procurar oportunidades de negócios e cooperar com os empresários locais. “Somos uma associação que congrega cerca de 200 empresários de todos os ramos, com uma carteira de cerca de 90 mil clientes. Quisemos aproveitar o convite da Expoarte para vir a São Vicente para conhecer e recolher informações, tendo em vista a possibilidade de se estabelecer uma cooperação entre S.Vicente e Canárias.”

Nelson Lopes, gestor da Expoarte

E, no último dia da visita, não estão defraudados. Pelo contrário, segundo Avilio Ortega, estão maravilhados, sobretudo porque as informações que receberam foram ao encontro dos objectivos traçados. “Neste momento, acredito que temos as mais vastas informações sobre esta ilha, o que nos vai ajudar a tomar decisões. Entendemos que Canárias reúne competências para tal, tendo em conta que somos muito parecidos e temos as mesmas necessidades. Queremos aproveitar a experiência que já temos para ajudar, na medida do possível, esta ilha-irmã de Cabo Verde”, pontua, mostrando-se confiante na concretização de projectos nas mais variadas áreas, desde construção, navegação, formação, turismo, imobiliária e segurança. 

Da parte da Expoarte, Nelson Lopes era um homem satisfeito pelo culminar desta semana empresarial, que reuniu esta plêiada de empresários nesta ilha para se fazer a prospecção do mercado, visando o estabelecimento de parcerias com os colegas mindelenses, quer para se fazer sociedades ou ainda para o simples fornecimento de material. “Trouxemos uma associação formada por mais de uma centena de empresários das Canárias, que está aqui representada por toda a sua direcção, mas que, na verdade, representa todos os seus associados. Dos contactos realizados, posso dizer que estão muito satisfeitos e acredito que podem trazer mais-valia, estando aqui como parceiros ou como sócios. Todos mostram claramente que querem investir na ilha de S. Vicente”, comemorava. 

O momento foi por isso aproveitado para agradecer todos os empresários que estiveram no meeting, a Câmara do Comércio de Barlavento por ter abraçado a ideia e ser uma parceira da Expoarte. Agradecimentos extensivos aos empresários das Canárias e do Brasil por acreditarem e por fazer com que se tivessem dado passos maiores do que os inicialmente previstos e que, a seu ver, vão fortalecer e rentabilizar o dinamismo dos empresários mindelenses.

Constânça de Pina

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