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Licenciado e estagiário na OMCV-SV faz do pastel um meio de subsistência

A falta de oportunidade na sua área de formação fez com que Alviar Lopes encontrasse nos pastéis um meio de subsistência para a família. Licenciado em Ciências Políticas e Relações Internacionais, sem conseguir uma brecha para entrar para o mercado de trabalho, este jovem santantonense, a viver em São Vicente, decidiu a preparar seus pastéis e sair para vender nas ruas do Mindelo.

Eu estava sem nenhum meio de subsistência e tinha que ajudar minha família. Tinha sido pai na altura e assistia a mãe do meu filho a preparar os pastéis. Aprendi escondido”, frisa Alviar, realçando que, por vezes, consegue cerca de quatro mil escudos num final de semana, só com as vendas.

No início, confessa ter a timidez e a vergonha como suas companheiras de jornada. Mas, com o tempo, ganhou mais autoconfiança e passou a ver a atividade com mais dignidade. Hoje já conquistou a sua clientela.

Há sete meses conseguiu um estágio na área social na delegação de S. Vicente da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV). Mas, mesmo assim, Alviar não deixou de lado a sua função nas ruas.

“Saio do trabalho e, mesmo cansado, vou para casa preparar os pastéis para vender. Pretendo aproveitar esta ligação com a OMCV para ministrar uma formação na área de salgados e mostrar a outros jovens que também são capazes.”

A delegada da OMCV diz que a parceria com o Centro de Emprego e Formação Profissional tem levado à instituição alguns estagiários que ajudam na realização das suas atividades. Desta feita foi Alviar que mostrou ter a energia que a instituição procura, para motivar outros jovens.

“Ele mostrou disponibilidade para ensinar, por isso queremos mostrar a outros jovens que muitas vezes as oportunidades somos nós quem procuramos”, diz a responsável pela instituição na ilha.

Aliás, Fátima Balbina faz questão de frisar que a maior parte das pessoas que passam pelas formações na OMCV, são enquadrados no mercado, “dada a qualidade profissional que demonstram”.

Por isso, prefere denominar a ONG de “um centro de oportunidades” para motivar jovens como Alviar a abraçar outra vocação que possam demostrar, mesmo que esta não condiz com a sua formação académica.

Sidneia Newton

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