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Enapor assina protocolos com portos portugueses: Foco nos domínios da segurança, ambiente, gestão, digitalização e descarborização

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A Enapor assinou ontem protocolos com administrações de congéneres portuguesas que, segundo o administrador Irineu Camacho, estabelecem um quadro de cooperação abrangente que inclui áreas fundamentais como a transformação digital, a análise de dados, logística portuária, segurança, sustentabilidade, formação técnica e o desenvolvimento do segmento de cruzeiros em Cabo Verde. Para o responsável dos Portos de Cabo Verde, esse passo é particularmente relevante porque vai permitir à Enapor acelerar os processos de inovação, reforçar as competências técnicas e aproximar o arquipélago dos padrões internacionais de eficiência e segurança.

“Que estes protocolos que hoje nós aqui assinamos se traduzam em ferramentas vivas, em ações concretas, com projetos vivos, com projetos e soluções conjuntas e com resultados visíveis aos nossos portos e às nossas economias”, almejou Camacho na mensagem dirigida aos seus homólogos dos portos de Sines e do Algarve e administradores dos Portos de Lisboa, de Setúbal e Sesimbra, para quem a relação entre as empresas dos dois países têm sido marcadas pelo espírito de partilha, confiança e de construção conjunta de soluções dos desafios no sector marítimo-portuário.

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Num contexto internacional cada vez mais exigente, disse o PCA da Enapor, os portos assumem um papel cada vez mais determinante para a competitividade das economias e segurança dos abastecimentos, em particular nos países insulares. Por esta razão, reforçou, a empresa tem vindo a apostar de forma consistente na modernização do sistema portuário nacional, inclusivo na digitalização de processos, sustentabilidade ambiental e reforço da eficiência operacional. Prova disto, salientou, foi a recente certificação da Enapor na norma ISO 9001, que atesta a qualidade dos serviços dos Portos de Cabo Verde.

Em nome dos Portos de Sines e do Algarve, o administrador Pedro Ramos enalteceu a qualidade do trabalho que a Enapor vem desenvolvendo ao longo dos anos na sua afirmação. “E digo sem qualquer tipo de conhecimento de causa muito profundo, mas digo porque me dizem isso em Sines.” O histórico do acompanhamento que Sines foi tendo com Cabo Verde, frisou, demonstra que efetivamente a ENAPOR está no caminho certo.

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“E não por acaso nós temos que fazer de facto a assinatura destes protocolos. É essencial. Nós em Sines, sobretudo Sines, Algarve também, nomeadamente Portimão, tem uma importância muito decisiva na questão do terminal dos cruzeiros e queremos cada vez apresentar mais números e mais força no desenvolvimento dessa infraestrutura; mas Sines é de facto um hub”, revelou o gestor. Ramos acrescentou que existem em Sines mais de 20 rotas regulares que a ligam à Europa e ao mundo e que Cabo Verde tem de também fazer parte. Este eixo Europa, África, América, através do Atlântico, disse o administrador, é absolutamente fundamental.

O Presidente do Conselho de Administração do Porto de Lisboa e da Administração do Porto de Setúbal e de Sesimbra frisou que Portugal veio em força para Mindelo pela inegável importância da assinatura dos protocolos com a Enapor. Segundo Vítor Caldeirinha, veio a Cabo Verde pela primeira vez em 1998 e desde então já realizou várias visitas à Enapor, o que lhe tem permitido testemunhar as mudanças na empresa em muitas áreas. O mais visível, diz, está ao nível das infraestruturas, que, nas suas palavras, atingiram uma transformação enorme no Porto Grande com o projeto do Terminal de Cruzeiros.

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“Em Portugal também estamos em transformação e queremos acelerar. Talvez não tenha havido um grande ritmo nos anos anteriores, mas agora, com este governo, queremos acelerar, e foi publicado, aprovado, a estratégia Porto 5+, para os portos do continente”, disse o PCA, enfatizando que essa estratégia inclui eixos como a digitalização, a sustentabilidade, o recurso à Inteligência Artificial em vários domínios…

“Hoje em dia estamos a colocar, se não me engano, 70 técnicos com inteligência artificial, não dentro da cabeça, mas no computador, além da inteligência humana, e o nosso objetivo é que os técnicos possam fazer 10 vezes mais trabalho com metade do tempo. Ou seja, queremos acelerar o que fazem e melhorar a qualidade, mas depois, além disso, também digitalizar e automatizar procedimentos internos”, ilustrou, acentuando que esses portos querem também automatizar os processos de compras e os concursos.

Víctor Caldeirinha mostrou-se disposto a trocar experiências técnicas com os portos cabo-verdianos e destacou algumas áreas interessantes como a descarbonização, digitalização e a governance, a capacitação, a formação…

A assinatura dos protocolos entre a Enapor e as administrações de Sines, Setúbal, Lisboa foi testemunhada pelo ministro do Mar, para quem esses actos demonstram o nível do relacionamento institucional entre Cabo Verde e Portugal e o alinhamento de Cabo Verde com as melhores práticas do mundo. Especificou que há uma cooperação que existe quando um navio sai de Setúbal ou de Lisboa ou de Sines ou do Algarve e passa pelo Porto Grande ou o Porto da Praia a caminho de outros destinos. “É esse alinhamento, essa partilha e esse alinhamento de conhecimentos. E isto é que engrandece porque a atividade da economia azul depende muito dessa ligação, dessa conectividade através dessa grande autoestrada que nós temos que é o Oceano Atlântico”, complementou.

Na sua intervenção, Jorge Santos adiantou que a Enapor vai lançar no dia 28 de fevereiro o concurso internacional para a construção da terceira fase de expansão do Porto Grande do Mindelo. Orçada em mais de 83 milhões de euros, a obra vai criar uma extensão de 400 metros da infraestrutura portuária para permitir a instalação de novos terminais e aumentar a sua capacidade de bunkering. O governante salientou que o porto terá o tamanho duplicado, visando a sua transformação num ponto-chave na navegação e transação comercial no Atlântico médio.

Dirigindo-se aos administradores presentes, frisou que os projectos previstos para 2026 incluem ainda intervenções estruturantes no Porto Novo, em Santo Antão, e no Porto de Palmeira, na ilha do Sal. Já para o próximo mandato governativo, Santos adianta que a grande novidade será a expansão e modernização do Porto da Praia, assim como intervenções no Porto do Tarrafal de São Nicolau, na sua vertente de pesca, e no cais de Vale de Cavaleiros, na ilha do Fogo.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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