Sete dos oito clubes apurados para a final four do nacional de andebol masculino (Oderf, ASA Star, Atlético do Mindelo e Desportivo da Praia) e feminino (Amarante, ABC e Djack Soia) decidiram cancelar a sua participação na fase final da prova. Em comunicado, afirmam que, após análise conjunta da situação que tem marcado a organização do torneio, optaram por desistir da competição tendo em conta as condições actualmente apresentadas pela federação da modalidade.
“Esta decisão decorre dos sucessivos adiamentos, das constantes alterações de datas e locais, da ausência de informação atempada e da permanente indefinição quanto às condições de realização do campeonato”, explicam. Acrescentam ainda a falta de uma “auscultação séria e efectiva” dos clubes envolvidos na competição antes do anúncio de novas datas, o que, para esse grupo, prova uma clara deficiência de diálogo da instituição que tem a responsabilidade de organizar a principal disputa nacional de andebol.
Para os signatários, perante os acontecimentos verificados, não é aceitável prosseguir a organização do campeonato sem um processo transparente, previsível e baseado no respeito pelos principais intervenientes, que são os clubes. Salientam, entretanto, que a posição assumida não representa uma desistência da modalidade nem um desrespeito pela competição. Pelo contrário, dizem, trata-se de um “acto de responsabilidade colectiva”, em defesa dos atletas, das associações regionais e da dignidade do andebol cabo-verdiano.
No mesmo comunicado, os sete emblemas manifestam ainda “profunda preocupação” com a crise de funcionamento e gestão da FCA. Consideram que a situação actual da federação não pode prolongar-se para a nova época desportiva, que, aliás, teve início no dia 1 de outubro. “O normal arranque da temporada 2026-27 poderá ficar comprometido caso de mantenha o actual quadro directivo e organizacional, marcado por instabilidade, ausência de comunicação eficaz e falta de cumprimento das obrigações estatutárias”, reforçam.
Perante tal cenário, os clubes decidiram também pedir às respectivas associações regionais para avaliarem a continuidade da actual direção da FCA. Querem a marcação urgente de uma assembleia-geral extraordinária para a realização de novas eleições. Ponderam ainda a própria destituição da equipa liderada por Ângela Almeida, com base nos estatutos.
A primeira fase do nacional de andebol masculino e feminino foi disputada de 3 a 5 de setembro, nas cidades do Mindelo e da Praia, culminando com o apuramento das equipas para a final four. A prova foi, entretanto, suspensa pela FCA supostamente devido ao luto decretado pelo Governo na sequência do dramático acidente de viação na ilha do Fogo. A federação alegou ainda problemas com as ligações inter-ilhas para justificar a decisão. Estes argumentos, refira-se, não foram aceites por vários clubes.
Conforme apurou o jornal Mindel Insite, a FCA decidiu retomar a prova no mês de outubro, com a disputa do escalão feminino em São Vicente e do masculino em Santiago. A informação, segundo uma fonte deste diário digital, foi comunicada aos clubes por um novo secretário, escolhido pela Presidente da FCA, que lhes endereçou um email anunciando a nova data. Na mensagem pedia às equipas para enviarem a lista dos atletas e dirigentes até ontem, dia 5 de outubro. Em vez disso, os clubes exigiram um encontro com a presidente que, entretanto, ainda não se realizou. Resultado, decidiram agora emitir um comunicado anunciando que não irão participar na fase final do campeonato.
O jornal Mindel Insite endereçou um pedido de reação à FCA por email, mas até não obtivemos nenhuma resposta até a publicação desta notícia.







