Todas as competições oficiais de futebol da região desportiva de Santo Antão Sul estão provisoriamente suspensas. A medida, que já foi comunicada aos clubes, foi tomada ontem à tardinha numa reunião da direção da ARFSAS e resulta, segundo Lenine Rocha, do facto de ter sido impedido de votar nas recentes eleições da Federação Cabo-verdiana de Futebol, enquanto presidente eleito da ARFSAS.
“Se não posso votar numa assembleia-geral da federação, isto significa que as nossas actividades são ilegais, logo não posso estar a homologar os jogos”, declarou Lenine Rocha em conversa com o Mindelinsite, reforçando que não faz sentido continuar a realizar competições se a actual direção da associação não é reconhecida pela FCF, entidade máxima do futebol.
Lenine Rocha salienta que a polémica está única e exclusivamente relacionada com as recentes eleições na FCF, que reconduziram Mário Semedo no cargo de presidente por 7 votos contra 5 da outra lista concorrente. Esclarece que a comissão eleitoral lhe retirou o direito de voto e, para seu espanto, permitiu que fosse exercido por António Santos, ex-presidente da Mesa da Assembleia da ARFSAS. A justificação apresentada, diz, é que a ex-direção interpôs no Tribunal do Porto Novo uma providência cautelar a requerer a anulação da eleição dos novos órgãos directivos, por considerar que aconteceram fora do âmbito estatutário, tendo a comissão eleitoral da FCF entendido que esse acto tem efeito suspensivo dos poderes da equipa eleita.
“Na verdade, este problema foi criado por Mário Semedo e o ex-presidente da Assembleia da ARFSAS. Criaram esta situação para garantir o voto da associação de Santo Antão Sul no candidato Mário Semedo. Fizeram isto porque pensaram que eu iria votar no outro candidato”, considera Lenine Rocha, que negou, entretanto, confirmar se o seu voto seria na lista adversária.
Questionado se a suspensão das provas está relacionada com a providência cautelar, que será analisada amanhã numa audiência agendada pelo tribunal do Porto Novo, Lenine Rocha responde negativamente, até porque, diz, esse acto não tem efeito suspensivo, ao contrário do entendimento da comissão eleitoral. “A suspensão das actividades está relacionada com a postura da comissão eleitoral, que nos impediu de votar na assembleia da FCF, sabendo que fomos eleitos. Não se trata da providência cautelar, que é um assunto sob a alçada do tribunal, que vai depois proferir a sua decisão”, realça Lenine Rocha, lembrando ainda que a decisão do tribunal pode ser alvo de recurso.
A medida de suspensão das provas foi comunicada de imediato aos clubes de Santo Antão Sul, através de uma reunião online, e hoje vão estar reunidos para analisarem as implicações.







