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URDI descentraliza-se este ano para todas as ilhas

A feira URDI deste ano decorre este anos em todas as ilhas, como forma de descentralizar o evento da Praça Nova em S. Vicente e evitar assim aglomerações em tempos de pandemia. O Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD) criou um modelo de circuito nacional de artesanato com vista a fazer uma interligação entre o público e os artesãos, nas ilhas e na diáspora.

“Queremos criar um circuito e uma interligação entre os artesãos a trabalharem nos ateliês, casas ou oficinas e que recebem nestes espaços o público que os vai visitar para conhecer os seus trabalhos. Este modelo será usado nos próximos anos, com a feira na Praça Nova, que é feita mediante a seleção dos participantes e, ao mesmo tempo, com o circuito nacional” explica o diretor do CNAD, para quem este modelo irá democratizar o acesso ainda mais aos artesãos e ao artesanato nacionais.

A URDI em si foi reestruturada, desde a feira, ao concurso, salão de design, conversas, oficinas e residências criativas, para evitar riscos de contágio ao novo Coronavírus. A feira, frisou Irlando Ferreira, é um dos pontos que mais desafios colocou à organização, visto a tendência em juntar pessoas na Praça Nova. A solução encontrada veio dar resposta à exigência atual e servir de modelo para os próximos anos, enquanto modelo “mix”.

De acordo com Irlando ferreira, alguns aspetos foram mantidos, nomeadamente a nível da estrutura, por não colocarem em risco as pessoas, destacando aqui o concurso de design. “O concurso de design é um dos aspetos que respeita as normas de segurança na sua essência, porque os concorrentes criam dentro do seu próprio espaço e é possível o salão dentro das limitações necessárias.”

Navegar em torno do mar com equilíbrio

O 4 edital concurso de design da URDI decorre sob o tema “Lossguia – Mar na Criação” e tem como ponto de partida o Equilíbrio que se desmonta em Ecologia e Criatividade. Em tempos de pandemia, o diretor do CNAD garante ser altura para puxar mais pela capacidade criativa dos participantes, como o concurso que aborda o mar como pano de fundo.

“Queremos ver nos trabalhos a importância do mar para o cabo-verdiano, tal como reflete na nossa criação, seja ao nível literário, poético, musical e das artes plásticas. Curioso será ver como os nossos criativos abordam o mar no processo de design, abrangendo o mar na sua dimensão, a ideia é conseguir retratar o querer partir e ter que ficar”, explica I.Ferreira.

Ferreira acredita que o convite deste ano será “especial”, por ser uma altura especial, em que o setor criativo mostra-se mais necessário, para que as pessoas possam continuar a imaginar o mundo para além do contexto atual. “Não podemos nos bloquear no momento e alegar falta de inspiração por causa da Covid-19. Seria uma desculpa fácil. Por isso não cancelamos o concurso, porque não seria sincero, nem coerente”, justifica Irlando, acrescentando que o setor criativo não deve ser descurado. 

Os participantes poderão abordar o tema a partir de tudo que já foi produzido, mas com inovação e desafio experimental, mediante a qualidade estética e formal da obra, que são alguns dos critérios exigidos. Este tema vem sendo desenvolvido deste o ano passado e abordo o equilíbrio, enquanto espaço de harmonia, existência e ecologia no sentido de ecossistemas criativos.  

David Monteiro, o embaixador do concurso, explica “Lossguia, o tema do concurso, como um termo usado por pescadores para garantir a segurança e consiste numa rede de pesca utilizada para isca. “É um nó utilizado para garantir a segurança e no âmbito deste concurso aborda a ideia de estar junto, comunhão, no sentido metafórico do ‘Lossguia’”, explica Monteiro.

O concurso é dirigido a diversos criativos, sem limite de idade e abrande seis fases. A primeira se limita na entrega das propostas, até 20 de setembro e a última culmina com o Catálogo do Salão _Created in Cabo Verde. A organização ainda pondera, sem certezas, uma visita virtual ao salão.

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