Cantora Liliana Delgado apresenta primeiros temas da carreira a solo em showcase no Mindelo

A cantora Liliana Delgado, residente em França desde a adolescência, vai apresentar ao público, no próximo dia 13 de agosto, na Aliança Francesa do Mindelo, os primeiros temas da sua carreira a solo, num showcase que assinala também a estreia oficial do videoclipe da música “Nôs Soncente”.
De férias em S. Vicente, a artista revelou que gravou três músicas da autoria do compositor Jovino dos Santos, duas coladeiras – Nôs Soncente e “Nôs Cabo Verde” – e a morna “Amor Fatal, que integram o seu primeiro projecto discográfico. “Vou aproveitar estas férias para divulgar um trabalho que já começou a ser gravado. Além de apresentar estas músicas ao vivo, quero também dar-me a conhecer ao público cabo-verdiano”.
O espetáculo contará com a participação do próprio Jovino dos Santos, que interpreta um dos temas com Liliana Delgado, bem como dos artistas Voginha, Djassa e Nay, acompanhados por uma banda preparada especialmente para a ocasião.
A cantora regressa a França no dia 17 de agosto, onde reside desde antes dos 14 anos. Natural da Ribeira Bote, em São Vicente, Liliana Delgado recorda que a paixão pela música nasceu ainda na infância. “Sempre gostei de cantar. Cantava escondida, atrás da janela da casa da minha avó, enquanto observava a reação das pessoas à minha voz”, contou.
Depois de emigrar para França, continuou a cantar apenas em ambiente familiar, até aceitar o convite para atuar pela primeira vez em público. “Gostei da experiência, o público também gostou e nunca mais deixei os palcos”, recordou.
Desde então, tornou-se presença habitual em eventos promovidos pela comunidade cabo-verdiana em França, atuando em iniciativas culturais organizadas por associações e pelo Consulado de Cabo Verde. A artista destaca ainda a participação em eventos na UNESCO, onde representou Cabo Verde através da música tradicional.
Liliana Delgado defende que o seu repertório assenta essencialmente na música tradicional cabo-verdiana. Embora aprecie todos os géneros musicais do país, revela uma ligação especial à morna. “Acho que a minha voz se adapta muito bem à morna. É o estilo onde me sinto mais confortável, embora sejam as pessoas que vão dizer se essa perceção corresponde à realidade”, afirmou.
A cantora diz ainda que pretende gravar futuramente alguns funanás, mantendo sempre a música tradicional como principal referência artística. Entre os compositores que mais admira destaca Manuel d’Novas, confessando preferência pelas mornas clássicas do cancioneiro cabo-verdiano.
A artista recorda que a mudança para França foi emocionalmente difícil e que, durante algum tempo, evitava ouvir música cabo-verdiana devido à saudade do país. “Quando cheguei a França, ainda menina, pedi à minha mãe para não colocar mornas nem coladeiras em casa, porque ficava demasiado emocionada. Durante algum tempo não conseguia ouvi-las nem cantá-las”, revelou.
Com o passar dos anos, voltou a aproximar-se da música tradicional, que acabou por se tornar parte fundamental da sua identidade artística. Apesar de já ter participado como coralista em trabalhos de vários artistas, entre eles Jovino dos Santos, este é o primeiro projeto em que assume o papel de intérprete principal.
“É uma sensação maravilhosa e muito emocionante. Quando entro no estúdio fico sempre um pouco nervosa. Sou muito exigente comigo própria e só fico satisfeita quando a gravação corresponde exatamente ao que pretendo. Se for preciso gravar várias vezes, faço-o sem problema”, concluiu.






