CNAD assinala 50 anos da Cooperativa Resistência com exposição comemorativa
O Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design inaugura, no próximo dia 23 de julho, na Galeria Bela Duarte, a exposição “50 Anos de Memória, Criação e Resistência”, iniciativa que assinala os 50 anos da fundação da Cooperativa Resistência. Criada em 1976 por Bela Duarte, Manuel Figueira e Luisa Queiroz e apoiados por Alexandrina Freitas, Mercedes Leite e Clementina Chantre e tantos outros, a Cooperativa Resistência deu origem ao atual CNAD.
De acordo com um comunicado do CNAD, a mostra propõe um percurso sensorial e narrativo pela história da instituição, revisitando o seu percurso desde a criação da cooperativa até à atualidade, através de uma abordagem multimédia. Reúne obras de arte, objetos, documentos de arquivo, fotografias, vídeos, testemunhos e dispositivos interativos, proporcionando ao público uma viagem pela memória institucional e pela evolução da criação artística ligada ao artesanato cabo-verdiano.
Diz ainda que a iniciativa pretende destacar a memória, a criação artística e o património cultural como elementos fundamentais na construção da identidade da instituição e na valorização do artesanato nacional ao longo das últimas cinco décadas. O CNAD convida o público a celebrar este meio século de história, marcado pela preservação da memória, pela criatividade e pela resistência cultural em Cabo Verde.
Recorda-se que os três artistas fundadores da Cooperativa Resistência foram condecorados em 2018 pela Presidência da República com a Primeira Classe da Medalha de Mérito. Na ocasião, o então Chefe de Estado afirmou que Bela Duarte, Manuel Figueira e Luísa Queiroz não são meros nomes de gente, deixaram de ser sons que identificam pessoas, palavras que permitem distingui-los de outros.
Passaram a ser um discurso, uma proposta, um enunciado. Como se existissem pessoas ou elas fossem criadas porque há já palavras que as nomeiam. “As suas vidas, a sua arte, há muito não lhes pertence. Há muito tempo foram desapropriados da sua produção, da sua criatividade, da sua energia”, observou, dizendo que cada um deles, a seu modo, dissolveu-se num Outro, emprestando um sopro de originalidade a grandiosa construção que respira, alimenta o espírito, humaniza e que, por vezes, faz bordejar o divino.

Defendeu ainda a Presidência da República que a intervenção desses artistas foi acompanhada de uma perspectiva globalizante que abarcou a sintonização imediata com o querer, o sentir e o pulsar das gentes de S. Vicente, das pessoas de Cabo Verde, através da forma e das cores das telas de cada um, bem como da indagação permanente dos labirintos dessa interioridade. Em suma, aliaram a magia da criação ao quotidiano, desvendaram nas parcelas autênticas e originais, pedaços do universal ao ritmo do seu saber e da sua intuição, e, também, procuraram ir além, na tentativa de captar e partilhar a essência das coisas.
A Cooperativa Resistência, refira-se, foi fundamental para a pesquisa, a recolha e a valorização do património artístico popular das ilhas. A par dos artistas já citados, outros nomes deixaram também a sua arte e conhecimentos ligados a este movimento: Nhô Griga de Santo Antão, mestre da construção de teares e da tecelagem tradicional; Nha Joana e Nha Antónia, exímias cardadeiras, também de Santo Antão; Nhô Damásio, mestre tecelão de Cutelo Gomes, mestre de pano fino – do ‘pano bitcho’ e do ‘pano de obra’.






