O grupo Ferro e Gaita perdeu ontem uma das principais referências com o falecimento do artista Bino Branco nos Estados Unidos, onde se encontrava em tratamento médico. Compositor e intérprete, Carlos Alberto Lopes, seu nome de batismo, era o homem do “firrim”, instrumento típico do género musical Funaná. Bino, que gravou vários sucessos musicais dos Ferro e Gaita, acabaria mesmo por se tornar numa das reconhecidas vozes deste estilo da ilha de Santiago.
Além dos Ferro e Gaita, Bino fez parte do grupo Djassy, como vocalista. Segundo a Inforpress, o artista chegou a viver na ilha Brava, após a dissolução deste agrupamento em 1991, onde era presença assídua nas noites cabo-verdianas. Em 1996, juntou-se a Estevão Tavares e outros músicos e criaram os Ferro e Gaita, cujo objectivo era recuperar a sonoridade tradicional do funaná, devolvendo protagonismo ao ferrinho e à gaita, numa época em que os teclados dominavam o género.
Logo no ano seguinte, lançaram “Fundu Baxu”, o primeiro dos sete álbuns, que foi bem acolhido pelo público cabo-verdiano. O grupo, que realizou ao longo da sua carreira uma série de digressões pela Europa, África e América, passou a ser visto como uma nova marca do Funaná.
Bino Branco estava a lutar contra uma doença oncológica nos Estados Unidos. Nascido em 1969 na cidade da Praia, acabou por falecer ontem, dia 29 de agosto. Mais uma estrela artística, do panorama musical cabo-verdiano, que cala a sua voz.






