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Baia: Constantino, Gai e Anísio revoltados com corte do microfone e tratamento diferenciado  

Conhecidos por compor e interpretar músicas do Carnaval em S.Vicente, Constantino Cardoso, Gai Dias e Anísio Rodrigues saíram ontem palco da Baía das Gatas revoltados com o corte do microfone nos minutos finais do seu espetáculo, quando pretendiam prestar uma homenagem ao músico Vlú, com o público a reagir com ruidosos assobios e apupos. Em declarações à imprensa, os três denunciaram ainda o tratamento diferenciado entre os artistas residente e os internacionais ou vindos da diáspora.

O segundo dia do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas fica marcado por este “desrespeito” por parte do técnico de som, que cortou o microfone ao artista Anísio Rodrigues, quando este chamava ao palco Constantino e Gai, depois de uma hora de espetáculo, distribuídos 20 minutos para cada um, para fazer um tributo ao compositor Vlú. Os três trajavam camisola com as três letras que formam o nome do artista, um dos fundadores deste certame musical e responsável por revolucionar as composições do Carnaval de São Vicente, mas foram barrados, alegadamente por terem excedido o tempo de actuação. 

Gai, Constantino e Anísio com o nome de Vlú nas camisolas

“Tínhamos preparado uma homenagem ao Vlú e acabaram com o nosso show desta maneira”, lamentou Gai Dias, que apresentou três músicas inéditas na Baía. “Ver este vibe é gratificante. Só tenho de dizer obrigado”, pontuou entretanto, referindo-se ao show.

Mais contundente, Constantino criticou aquilo que apelidou de discriminação. “Os artistas locais e os que vêm de fora não são tratados da mesma forma. Sentimos isso quer do pessoal do som como do staff e isso causa revolta. Preparamos uma homenagem para o Vlú – que é um fundador do festival e um criador de músicas do Carnaval. Neste momento, se temos a nossa própria música do Carnaval, devemos muito ao Vlú. Chegamos no fim e informamos a organização que temos mais uma música para apresentar, num momento em que ele enfrenta alguns problemas de saúde, e negam categoricamente. Cortam o som e pronto”, desabafou.

Constantino Cardoso recusou aceitar a justificação de tempo, afirmando que grande parte das bandas que passam pelo palco excedem a hora estipulada. “Mais três ou quatro minutos não fariam diferença”, frisou. Relativamente a acusação de discriminação, exemplifica com a ausência de identificação nos camarins para os artistas locais, enquanto os que chegam de fora são sinalizados com antecedência. 

Igual entendimento tem Anísio, para quem é frustrante para um artista preparar o seu espetáculo e ser impedido de “fazel bnit”. “Disse ao técnico que somos todos de São Vicente e ele devia nos dar esta oportunidade, mas pronto. Quanto ao staff, acredito que temos de escrever uma ‘bíblia’ de exigências para poderem nos tratar como deve ser. Próximo ano vamos fazer isso. Mas, estamos a reclamar e talvez no próximo ano não seremos chamados. Mas quem perde é o povo de São Vicente”, pontuou este artista santantonense, para quem é difícil ter motivação para fazer música nestas condições. 

O rol de criticas não fica por aqui. Anísio Rodrigues acusa o técnico de som que desligou o seu microfone no palco de ter falhado redondamente, antes em mais de duas horas. Elogiou entretanto, o público, presente no sambodromo da Baía, que cantou e dançou e para quem fazem o espectáculo.

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