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Abraão Vicente quer baixar “crispação” com a classe artística e melhorar a qualidade do diálogo neste mandato

O ministro Abraão Vicente reconheceu em conversa com o Mindelinsite que fez uma gestão quase com “mão-de-ferro” no mandato anterior, mas assegurou que quer baixar a crispação com a classe artística nacional, melhorar a qualidade do diálogo com os agentes culturais e defender um maior financiamento para o sector. É com este e outros objectivos em mente que o governante iniciou contactos directos com associações culturais mindelenses, tendo já conversado com os grupos carnavalescos e organizadores dos festivais de teatro “Mindelact” e do cinema “Oiá”.  O próximo encontro é com o presidente da CMSV hoje de manhã.

“Vamos alargar os contactos com outras associações e fazer um apelo a um trabalho comunitário e de compreensão mútua, reforçar ainda a certeza de que haverá a continuação do financiamento dos grandes eventos culturais realizados em S. Vicente, mas, ao mesmo tempo, mostrar que devemos respeitar a nossa condição arquipelágica e estender os eventos a nível nacional”, frisa o reconduzido ministro da Cultura.

Segundo Vicente, veio à cidade do Mindelo para (re)lançar o mandato com o intuito de preparar o orçamento para o sector, visto que o programa de governação será brevemente aprovado. Enaltece que chegou a S. Vicente disponível para receber contributos capazes de enriquecer as linhas mestras de mais este mandato. “Queremos que este mandato seja marcado pelo fomento às artes, com uma maior qualidade da programação artística, mais e melhor formação dos criativos, a formalização de projectos da envergadura do Mindelact e Festival Oiá e porque não um aumento do bolo orçamental para a Cultura”, diz Vicente, que se mostra disponível a trabalhar e estabelecer uma parceria mais robusta entre os agentes culturais e o Governo.

Este foi o mote da conversa entre Abraão Vicente e os agentes culturais Tambla Almeida e Boss Brito durante a visita efectuada à sede do festival de cinema Oiá, na cidade do Mindelo. Um encontro solicitado pelo MC e que, segundo Tambla, acontece pela primeira vez. “Estamos a começar um diálogo que não existiu no mandato anterior e vemos esta atitude como prova de uma nova visão do Ministério da Cultura”, realça o responsável do “Oiá”, que espera contar com a parceria do MC neste novo mandato, pois, frisa, “Oiá é dos melhores projectos que a tutela pode ter como parceiro no domínio do cinema.”

Tambla Almeida salienta que “Oiá” tem vários projectos em curso e pretende fazer o melhor festival de sempre este ano, no mês de outubro. Ao poder contar com o MC, diz, fica mais fácil executar os planos e atravessar as barreiras e incertezas provocadas inclusivamente pela pandemia. “Mais do que submeter projectos para financiamento queremos criar uma parceria com o ministério. Temos projectos de produção cinematográfica e de formação e chegamos a gravar e editar algumas peças durante a pandemia”, revela Tambla Almeida, enfatizando que “Oiá” tem novidades a apresentar no próximo festival – uma delas uma curta-metragem sobre o conto de estórias – e lembrou que fazer um evento dessa envergadura exige esforços tanto ao nível da produção dos trabalhos como da própria organização.  

Fórum sobre Carnaval d’Soncent

Ciente dessa realidade, o ministro Abraão Vicente mostra-se aberto a injectar uma nova dinâmica cultural em Cabo Verde. O foco é saber como retomar as actividades após a crise sanitária provocada pela Covid-19. Aliás, este ponto foi levantado no encontro que teve com a direção do grupo carnavalesco Monte Sossego. A agremiação, segundo Vicente, quer saber quando pode voltar a realizar eventos de angariação de fundo. Segundo o ministro, estando o país em situação de calamidade, será preciso conversar com o IGAE e a Delegacia de Saúde.

“Há a esperança de retomarmos a normalidade uma vez atingida a vacinação de pelo menos 70 por cento da população”, lembra Vicente, que anunciou, entretanto, a realização de um fórum sobre o Carnaval d’Soncent no mês de julho com o envolvimento dos grupos, da Ligoc-SV e da Câmara de S. Vicente. O objectivo será fazer uma reflexão sobre o futuro e o formato dessa manifestação cultural no pós-pandemia, mas também ver como mitigar a situação dos agentes culturais que viviam quase que exclusivamente do Carnaval.

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