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PM pede financiamento “com dimensão e consistência” para responder às emergências e aumentar a resiliência de Cabo Verde

O Primeiro-ministro pediu hoje ao Secretario Geral das Nações financiamento com dimensão e consistência no tempo para se implementar uma estratégia de adaptação e de mitigação face às mudanças climáticas para responder às situações de emergências e aumentar a resiliência de Cabo Verde e demais pequenos estados insulares em desenvolvimento. De acordo com Ulisses Correia e Silva, este financiamento deve ainda incluir o reforço de capacidades e transferência de tecnologias. 

O Chefe de Estado falava na abertura da Cimeira dos Oceanos que decorre no Mindelo e que conta com a presença do Secretario-Geral das Nações Unidas, o Primeiro-ministro de Portugal e o antigo presidente das Seychelles. “A estratégia de adaptação e de mitigação face às mudanças climáticas para responder às situações de emergências e aumentar a resiliência, necessita de financiamento com dimensão e consistência no tempo para produzir transformações estruturais. Financiamento que inclui reforço de capacidades e transferência de tecnologias” afirmou.

É que, argumentou, a crise climática e ambiental é global, caracterizada pela perda acelerada da biodiversidade e pela poluição, que afecta seriamente todos os país, mas de forma particular as ilhas. Resolvê-la, frisou, é responsabilidade de cada um dos países e de todos os países do mundo. “É uma responsabilidade maior para os países com maior quota na produção dos efeitos nocivos das mudanças climáticas e da poluição. O multilateralismo é a melhor abordagem para soluções globais sustentáveis para não deixar nenhum país para trás e salvar o planeta de todos nós.”

Neste sentido, Correia e Silva manifestou total adesão ao apelo do SG das Nações Unidas à ação para salvar os oceanos e proteger o futuro do planeta Terra. Disse ainda colocar justificadas expetativas na Coligação dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento pela Natureza, criada com o objetivo de mobilizar meios para a implementação dos objetivos a nível da biodiversidade e no apelo “Call for Action.”  E aproveitou para deixar ainda algumas sugestões. “Gostaríamos que os temas e os compromissos que a Coligação pela Natureza propõe fossem considerados na Cimeira do Futuro a ter lugar em setembro de 2023 e na próxima Conferência dos Oceanos das Nações Unidas em 2025. À semelhança dos demais SIDS, somos defensores de um tratado internacional regulador, legalmente vinculativo, para o combate à poluição por plásticos”, enfatizou. 

Guterres exalta compromisso de Cabo Verde

Palavras que deixaram o SG das Nações Unidas satisfeito, que agradeceu o compromisso de Cabo Verde, quer com a conservação e a valorização sustentável dos oceanos, quer com a ação climática, com relevo particular para a sua liderança no conjunto dos Pequenos Estados Insulares, quer pela proteção da biodiversidade.António Guterres a “coragem inspiradora” dos velejadores que, disse, navegam em condições difíceis e que nos seus barcos carregam equipamentos especiais para recolher dados científicos para ajudar a garantir um oceano sustentável para o futuro. 

Diante das mudanças climáticas e da poluição plástica, a humanidade tem sua própria corrida para vencer. A corrida para proteger o oceano para o futuro. O O oceano sustenta o ar que respiramos, os alimentos que consumimos, as culturas e identidades que nos definem os empregos e a prosperidade que nos sustentam, declarou. Por isso, entende  o SG que o oceano está na linha da frente da batalha, o que significa que os pequenos estados insulares em desenvolvimento como Cabo Verde também estão. Até porque, disse, cerca de 35% dos estoques mundiais de peixes estão superexplorados e o aquecimento global está a aumentar as temperaturas dos oceanos, alimentando tempestades cada vez mais frequentes e intensas. 

Para o SG, a continuar como está, até 2050 pode haver mais plástico no mar do que peixes. A boa noticia é que, no ano passado, o mundo deu passos importantes para corrigir o rumo, citando como exemplo o acordo de Nairobi para negociar um tratado vinculativo para controlar a poluição plástica e o da Organização Mundial do Comércio para acabar com os subsídios prejudiciais à pesca, que muitas vezes resultam em pesca ilegal. “Na conferência das Nações Unidas sobre o Oceano em Lisboa, os países fizeram centenas de novos compromissos voluntários e promessas para proteger o oceano – uma tendência positiva que esperamos que continue na conferência deste ano no Panamá. E, na de Biodiversidade da ONU em Montreal, os países concordaram com uma meta de proteger 30% da terra, água, ecossistemas costeiros e marinhos até 2030”.

Em jeito de remate, António Guterres realçou que, se 2022 foi considerado o ano do oceano, 2023 precisa ser o ano de ação, para que se possa acabar de vez com a emergencia oceânica.

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