MpD continuaria no poder se eleições fossem em dezembro e Parlamento teria mais equilíbrio entre os dois principais partidos, dita sondagem

O MpD continuaria no poder caso as eleições legislativas ocorressem em finais de dezembro, ditou uma sondagem realizada pela Afrosondagem com 3.526 entrevistas presenciais e que apresenta 95% de confiança. Os dados apurados na pesquisa indicam que o Movimento para a Democracia venceria com 31%, o PAICV alcançaria 25% e UCID teria apenas 4 por cento em todo o território nacional. A distribuição dos mandatos seria marcada, deste modo, por um maior equilíbrio no Parlamento dos deputados, principalmente dos candidatos ligados aos dois maiores partidos.
Os resultados, conforme a Afrosondagem, mostram que 72% dos inquiridos iriam votar, enquanto 19% não manifestaram intenção de irem às urnas e 9% revelou-se indeciso. A intenção do exercício do voto apresentou-se mais forte nas ilhas de Santiago e do Fogo. “Ainda assim, há círculos em que a abstenção tende a ser mais significativa, o que pode influenciar os resultados finais, dependendo do grau de mobilização dos eleitores”, enfatiza a empresa responsável pelo inquérito.
O estudo, que visou conhecer as perceções dos cabo-verdianos sobre os líderes partidários e a direção dos votos, revelou um nível “muito elevado” de notoriedade de Ulisses Correia e Silva (entre 95 a 100%) em quase todos os círculos. Por seu turno, Francisco Carvalho apresentou também uma boa notoriedade, embora inferior ao seu principal adversário político, situando-se acima dos 80%, tendo maior preferência em Santiago Sul e Santiago Norte. No caso de João Santos Luís (UCID), os níveis de notoriedade foram “significativamente mais reduzidos”, variando entre 30% e 75 por cento, evidenciando uma presença pública mais limitada e desigual entre os círculos.
Os dados apurados indicam que o MpD iria liderar na maioria dos círculos eleitorais, com destaque para Fogo (52%) e Sal (43%). Já nas restantes bolsas de voto teria valores entre os 24 e 31 por cento, o que revela, conforme análise da Afrosondagem, que o partido “ventoinha” tem uma presença consistente, ainda que com variações regionais.
O PAICV apresentaria melhor desempenho na Boa Vista (37%), Santiago Sul (32%) e Santiago Norte (29%), posicionando-se como o partido vencedor nesses círculos. Noutros, a votação ficaria abaixo de 25 por cento.
A UCID teria “valores residuais” na maioria dos círculos (entre 1% e 6%), com presença mais expressiva em São Vicente, onde tem a sua sede nacional.
Os resultados mostraram diferenças importantes entre as diferentes faixas etárias. O MpD lidera sobretudo entre os eleitores nas faixas etárias mais elevadas, alcançando 39% no seio dos eleitores com 65+ anos, mantém um score acima de 35% nas faixas etárias a partir dos 45 anos. “Isto sugere um eleitorado mais consolidado entre adultos e seniores.”
O PAICV apresentou nessa sondagem um desempenho relativamente mais equilibrado entre as diferentes faixas etárias, oscilando entre os 21% e os 27%, com ligeira vantagem no seio dos eleitores com idade entre os 35 e 54 anos.
Entre os jovens (18–24 anos), observa-se um cenário mais fragmentado: apenas 23% votariam no MpD e 24% no PAICV, enquanto cresce o peso de respostas como “nenhum deles” e “não sei/não respondo” com 21% ex-áqueo.
Deputada Carla Lima critica divulgação da pesquisa
A divulgação da sondagem suscitou críticas da deputada Carla Lima (PAICV), para quem o estudo foi tornado público sem identificação da entidade que a encomendou e de quem a financiou. Estas informações, disse em post no Facebook, não constam da divulgação noticiosa nem são apresentadas de forma clara e acessível no momento da publicitação dos resultados. Salienta que esta omissão constitui uma “falha grave” à luz da legislação cabo-verdiana.
“Nos termos do Regime Jurídico das Sondagens e Inquéritos de Opinião, aprovado pela Lei n.º 19/VIII/2012, de 13 de setembro, a divulgação pública de sondagens, em particular as que incidem sobre intenções de voto, está legalmente condicionada à publicação obrigatória de um conjunto mínimo de elementos”, diz a parlamentar. Especifica que, entre esses elementos, consta de forma expressa a identificação da entidade promotora, a encomendante ou financiadora da sondagem, bem como a respetiva ficha técnica completa. Frisa que esta exigência não é facultativa, pois resulta do princípio da transparência da informação e do direito dos cidadãos a conhecer quem promove e paga estudos suscetíveis de influenciar a formação da opinião pública em contexto eleitoral.
A lei existe, segundo Carla Lima, precisamente para prevenir a instrumentalização política de sondagens sob aparência de neutralidade técnica. Quando os resultados de uma sondagem são divulgados sem que se saiba quem a encomendou e quem a pagou, reforça, o público fica impedido de avaliar potenciais conflitos de interesse, o grau de independência do estudo e o contexto em que os dados foram produzidos.
Relembra que a fiscalização do cumprimento destas obrigações legais compete à Agência Reguladora da Comunicação Social, enquanto autoridade administrativa independente responsável por assegurar o respeito pelas normas aplicáveis à comunicação social e à divulgação de conteúdos com impacto eleitoral.






