Atualidade
Tendência

Governo define estratégia para manter “comunicações essenciais” em caso de desastre

O Governo acaba de divulgar um comunicado onde apresenta a visão de desenvolvimento da rede e infra-estruturas de comunicações de Cabo Verde e o seu alinhamento com para o sector. Esta iniciativa, essencialmente, manter as comunicações essenciais em Cabo Verde, em caso de acidentes ou desastres, como o que aconteceu recentemente e que “desligou” por completo o país, quer a nível interno como também do resto do mundo.

O documento começa por constatar que a recente interrupção dos serviços de telecomunicações, que afectou todo o território, resultante do incendio nas instalações da CV Telecom que levantou alertas sobre as comunicações no país. As causas do incidente, diz, ainda estão por apurar, mas colocou em evidência a necessidade de se elaborar uma estratégia de abrangência nacional nos domínios da Segurança, soberania tecnológica, backup e continuidade de negócio, com o envolvimento de todos os players: operadores, operadoras e Estado (Direção-Geral das Telecomunicações e Economia Digital, Núcleo Operacional dos Sistemas de Informação, Proteção Civil, Ministérios e Reguladora Multisectorial da Economia).

Pela complexidade do dossier, este acredita que uma solução abrangente do problema não passa somente por questões de índole tecnológicas ou endereçamento de eventuais fragilidades estruturais. Passa sobretudo pela definição de um plano sustentável de investimentos, o qual requer uma avaliação e validação por parte do Governo, devido ao impacto que terá sobre a concessão e as tarifas/preços junto dos consumidores.

“Dependendo dos níveis de criticidade, as soluções devem passar por medidas tais como: Investimentos em redes e infra-estruturas alternativas, ainda que com capacidade inferior, visando garantir de pé as comunicações essenciais, em caso de desastre; Roaming Nacional – Aplicável em casos de perda total ou parcial do subsistema de rede de acesso de uma das operadoras móveis; Recurso a uma solução de comunicações de emergência que faça bypass a rede nacional (p.e. Satélite); e recurso às infra-estruturas e redes do Estado, visando securizar algumas componentes das comunicações eletrónicas garantindo continuidade de negócio”, diz o comunicado.

A implementação destas medidas, aliada a uma estratégia nacional de segurança das comunicações concertada entre as várias entidades, responde de forma estruturada e consistente às questões de segurança, continuidade de negócio e serviços mínimos em caso de desastres. Paralelamente a esta estratégia e projectos em andamento, admite, é inquestionável que um episódio de tamanha gravidade exige a adoção de medidas imediatas. “O Estado está convicto que a implementação desta visão, aliada a uma estratégia nacional de cibersegurança e de segurança das comunicações concertada entre as várias entidades, responde de forma estruturada e consistente às questões de segurança, continuidade de negócio e serviços mínimos em caso de desastres”, lê-se ainda na referida nota assinada pelo Diretor Geral das Telecomunicações e Economia Digital.

Investimentos concretizados

Este responsável garante, entretanto, que os últimos 5 anos têm sido marcados por fortes investimentos (8,6 milhões de contos) na modernização das infra-estruturas de comunicações, designadamente de rede móvel e de rede fixa, visando a transformação digital, a convergência tecnológica e o alinhamento com os requisitos da indústria 4.0. Os investimentos na rede fixa representaram uma aposta na infraestrutura de banda larga fixa, base para novas soluções e inovações tecnológicas. Já os nos cabos submarinos internacionais, reforçam a redundância e a capacidade da conectividade internacional do país, lançando os alicerces para a criação do verdadeiro HUB tecnológico, em linha com a política de desenvolvimento do país.

Indo ao detalhe, o engenheiro Aruna Handem realça que as redes de backbone das comunicações nacionais foram alvos de modernização em 2018, adotando soluções tecnológicas caracterizadas por alta fiabilidade, elevada taxa de transferência, modularidade, escalabilidade e resiliência, para satisfazer a demanda de tráfego IP;. Foram feitos ainda investimento do Cabo Submarino Internacional Ellalink, que terá uma extensão de aproximadamente 6.500 Km e uma capacidade de 30 Tbits/s.

Os principais pontos de amarração – Santos, Fortaleza (Brasil) e Sines (Portugal) – terão pontos de amarração em Cabo Verde e Madeira; Investimos no Cabo Submarino “SHARE” que vai ligar Dakar-Praia numa perspetiva de ligar o país a nossa sub-região, criando novos mercados e facilitar a implementação da rede “Amílcar Cabral”; Requalificamos a Rede Intra-ilha em Santiago; Expandimos a rede de Fibra óptica com aumento de capilaridade nos principais centros de negócio do país nomeadamente na cidade da Praia, Mindelo, Santa Maria, Espargos e Sal Rei”.

Relativamente a 2020, afirma, o país tem a considerar o estado“on going projetcs” que convergem para o eixo estratégico de securização das infraestruturas e continuidade de serviços, nomeadamente a construção da estação de cabos submarinos internacionais, dimensionado para 4 sistemas; a sua localizado junto do parque tecnológico, por uma questão estratégica; a construção de novos DataCenter na Praia e em São Vicente para Backup e situações de recuperação de desastre. Ainda, a requalificação da rede de transporte Fibra óptica intra-ilhas; a implementação da 2ª fase do projeto Cidade Segura em Santiago, S. Vicente, Sal e Boa Vista;  a modernização do Internet Service provider; a implementação do 4G a nível nacional tendo concluído o ano de 2019 com uma taxa de cobertura populacional de 79,4%.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Fechar