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ECDC revela em relatório mais de mil casos confirmados e suspeitos de infeção gastrointestinal em turistas que visitaram CV

O Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças revelou em relatório que mais de mil casos confirmados e suspeitos de infeção gastrointestinal foram detectados neste mês de março em turistas que regressaram à Europa após gozarem férias em Cabo Verde, mais precisamente na cidade de Santa Maria. Segundo a instituição, a fonte da infeção não foi identificada, mas as informações actuais apontam para a provável transmissão da doença através da água ou alimentos.

A probabilidade de novas infecções em viajantes que visitam a região de Santa Maria, conforme o referido centro, permanece moderada, mas admite que podem surgir mais casos de shigelose e outras infecções gastrointestinais até que a origem da infecção seja identificada e medidas de controle eficazes sejam implementadas. “Os testes laboratoriais de amostras de viajantes que retornaram identificaram, na maioria das vezes, Shigella e Salmonella, o que sugere uma fonte persistente ou exposição contínua. Isso está sendo investigado mais a fundo”, diz o documento, salientando ainda que há relatos de casos que terão afectado cidadãos norte-americanos.

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Entre setembro de 2022 e março de 2026, descreve o relatório, foram notificados 766 casos confirmados e prováveis ​​de shigelose por 15 países, na sua maioria da União Europeia, entre viajantes que regressaram de Cabo Verde: Bélgica (46), Chéquia (14), Dinamarca (45), Finlândia (9), França (67), Alemanha (92), Irlanda (2), Luxemburgo (19), Noruega (5), Polónia (1), Portugal (12), Suécia (120), Países Baixos (64), Reino Unido (263) e EUA (7).

“Além disso, durante o mesmo período, houve mais de 300 casos confirmados e prováveis ​​de outras infeções gastrointestinais, como salmonelose, campilobacteriose, giardíase, criptosporidiose, yersiniose, amebíase e infeções por Escherichia coli produtoras de toxina Shiga e enteroinvasivas (STEC e EIEC), em viajantes que regressaram de Cabo Verde”, acrescenta o centro.

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Com base nas informações epidemiológicas disponíveis, a maioria dos indivíduos com shigelose e outras infecções gastrointestinais, incluindo salmonelose, hospedou-se na mesma rede hoteleira na região de Santa Maria, na ilha de Sal. No entanto, a fonte de infecção ainda não foi identificada, embora haja fortes suspeitas de que a transmissão esteja a acontecer através de alimentos e/ou água contaminados. Pode ainda acontecer, conforme essa autoridade, a transmissão direta de entre pessoas por via fecal e oral.

Testes laboratoriais, salienta o ECDC (sigla em inglês) detectaram uma cepa predominante de Shigella em viajantes que retornaram de Cabo Verde desde setembro de 2022. Isto sugere, conforme a instituição, uma fonte persistente de infecção ou transmissão contínua. E, corroborando essa hipótese, uma cepa persistente de Salmonella também foi detectada desde 2024.

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O ECDC não descarta a possibilidade de ocorrer a transmissão subsequente do patógeno em países europeus, particularmente da Shigella. Isto porque, explica, a Shigella e outras infecções gastrointestinais se disseminam facilmente pela via fecal-oral por meio de contato pessoal próximo, superfícies contaminadas e manipulação de alimentos. Existe ainda a possibilidade de contaminação através da actividade sexual.

O ECDC informa no relatório que está monitorando o evento por meio do Portal Europeu de Vigilância de Doenças Infecciosas (EpiPulse) para atualizações epidemiológicas e microbiológicas e está em contato com os países afetados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as autoridades de Cabo Verde.

O alarme internacional sobre um surto de infeção gastrointestinal em turistas europeus foi acionado em fevereiro deste ano através de uma reportagem do jornal The Sunday Times sobre a morte de pelo menos quatro turistas britânicos que terão ficado doentes quando estavam de férias em Santa Maria, na ilha do Sal.

De imediato, o ministro da Saúde reagiu às notícias reproduzidas pela imprensa internacional sobre a situação, tendo classificado a abordagem jornalística como “grave, desproporcional e susceptível de induzir a percepções alarmistas injustificadas” sobre o serviço de saúde em Cabo Verde. O governante salientou na altura que, do ponto de vista técnico, a mera coincidência temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade. “A determinação de nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa — elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso”, sustentou o médico Jorge Figueiredo.

Na sequência das informações veiculadas pela impressa internacional sobre eventuais casos de shigelose num dos hotéis do Sal, o Ministério da Saúde determinou uma investigação que foi realizada por uma equipa técnica multidisciplinar, constituída por profissionais do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), da Direção Nacional de Saúde (DNS), da Delegacia de Saúde do Sal, do Hospital Regional Ramiro Figueira (HRRF), da Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), da Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde. Os resultados serão apresentados hoje à tarde na cidade da Praia.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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