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Barry Adeyemi quer mobilizar conterrâneos para protesto em SV contra violência da força policial SARS na Nigéria

O activista nigeriano Barry Adeyemi pretende promover uma manifestação em S. Vicente para ajudar os compatriotas na sua luta pelo fim das atrocidades alegadamente cometidas por membros do Esquadrão Especial Antirroubo (SARS, em inglês) no seu país. Esta força policial está no centro de protestos na Nigéria, acusada por grupos de defesa dos direitos humanos de ter matado e torturado cidadãos inocentes a mando do Governo. 

Inconformado com os acontecimentos, Barry Adeyemi, residente em S. Vicente, quer informar o povo cabo-verdiano sobre o que tem estado a acontecer na Nigéria e ao mesmo tempo mobilizar os seus conterrâneos para uma ação social contra esse esquadrão, que, diz, em vez de combater a criminalidade tem sido usado pelo actual presidente para torturar e roubar o povo.”Essa força não tem por objectivo combater roubos, mas sim roubar o povo. Neste momento se um jovem consegue comprar um carro eles retiram-lhe a viatura, alegando que não justificou a proveniência do dinheiro”, ilustra Barry Edeyemi.

Pelas informações que tem, e que foram noticiadas pela imprensa internacional, o Governo tem dispersado protestos “pacíficos” com disparos que já causaram mortes entre os manifestantes, como atesta a própria Amnistia Internacional. Este afirma que várias pessoas foram alvejadas à noite enquanto estavam reunidas num campo perto da cidade de Lagos. Esta situação, acrescenta, já provocou críticas da comunidade internacional, tendo Hilarry Clinton exigido o término da intervenção dessa força policial.

Neste momento, segundo Barry, está em curso uma campanha internacional intitulada #End SARS e que quer reforçar em Cabo Verde. No entanto sente alguma apatia da parte dos compatriotas, quando noutros países os nigerianos promoveram manifestações. O seu objectivo é conseguir fazer o mesmo, nem que seja em S. Vicente.

Outra intenção desse ex-presidente da Associação dos Nigerianos em Cabo Verde é chamar a atenção do Governo para não aceitar o refúgio de membros do SARS, se estes resolverem fugir da Nigéria. “Eles tem de pagar pelos seus actos contra o povo na Nigéria e não vir esconder-se noutros países, como Cabo Verde”, diz essa fonte, para quem é preciso unir forças e acabar com as atrocidades do esquadrão SARS.

Governo anuncia desmantelamento do SARS

Como resposta aos protestos, o Governo nigeriano anunciou, no dia 11 de outubro, que iria desmantelar esta força policial, mas tal não foi suficiente para demover os manifestantes, que reclamam o fim das agressões por parte das forças de segurança. Inicialmente realizados de forma pacífica, pelo menos 10 pessoas morreram, anunciou a organização Amnistia Internacional na semana passada, que acusou a polícia de recorrer a violência desnecessária contra os manifestantes.

Várias multidões invadiram várias instalações prisionais nigerianas, o que levou a que cerca de 2.000 reclusos escapassem da prisão, anunciou esta terça-feira o Ministério do Interior do país. Os protestos têm-se realizado um pouco por todo o país, que conta com uma população superior a 196 milhões de pessoas, com principal destaque para a maior cidade, Lagos, a capital, Abuja, e outras importantes cidades, como Port Harcourt, Calabar, Asaba e Uyo.

A campanha para o fim do SARS reuniu apoio internacional, incluindo de membros do movimento ‘Black Lives Matter’ e do cofundador da plataforma social Twitter Jack Dorsey, que partilhou várias publicações de manifestantes nigerianos. Na passada terça-feira, dia 13, a polícia nigeriana anunciou a criação de uma brigada anticrime (SWAT) para substituir a SARS, tendo posteriormente garantido que nenhum antigo membro da unidade desmantelada poderá integrar a nova força.

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