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Albertino Graça: “O facto de o PAICV ser a terceira força política em SV é motivação acrescida para lutar pela vitória”

Albertino Graça quer fazer história como candidato à CMSV pelo PAICV, colocando esse partido pela primeira vez na gestão da autarquia mindelense. Para ele, o facto desse partido ser a terceira força política local deve ser mais uma motivação para alcançar a vitória no dia 25 de Outubro. Graça entende que houve alguma desmotivação entre os militantes do PAICV em 2016, mas que agora o alento é outro, que agora há melhores condições para vencerem o embate autárquico.

Mindel Insite – Assume a candidatura do PAICV para a CMSV numa altura em que o partido está como a terceira força política votada nas últimas eleições autárquicas. Como é que este facto pode influenciar na vitória da sua equipa?

Albertino Graça – O PAICV é um grande partido nacional, com vocação de poder, e por isso qualquer que seja a eleição em que participa – autárquicas, legislativas ou presidências – luta sempre pela vitória. O facto de atualmente ser a terceira força política em São Vicente deve ser uma motivação acrescida para lutar pela vitória nas próximas eleições autárquicas e fazer história, porque nunca esteve no Governo Municipal de São Vicente. Repare que o PAICV desta vez escolheu dois independentes para liderar as suas listas para a Câmara e para a Assembleia Municipal, precisamente para acrescentar novos segmentos de eleitorado que não habitualmente não votavam no PAICV, para dar um sinal de abertura aos jovens quadros e à sociedade civil no geral, de se mostrar um Partido mais aberto e mais dialogante. Isso pode fazer toda a diferença nesta disputa eleitoral.

MI – Membros do partido argumentam que o PAICV teve esse score em 2016 porque os militantes não foram votar. Acredita que foi isso que aconteceu e que esse cenário ira mudar nestas campanhas?

AG – Penso que existiu alguma desmotivação no seio dos militantes do PAICV, até porque o resultado em 2016 não atingiu os números habituais do partido nas eleições autárquicas. Acredito, no entanto, que há um novo alento e que existe um sentimento de que, desta vez, o PAICV reúne as condições necessários para vencer este pleito eleitoral. Mas é preciso que todos os militantes, amigos, simpatizantes se juntem decididamente nesta grande jornada de luta, porque a disputa eleitoral vai ser difícil e só vai ser decidida no exato momento do fecho das urnas. 

MI – Tem a experiência de ter disputado uma corrida à CMSV em 2004 e a Presidência da República, esta em 2016. Costuma-se dizer que a terceira é de vez. Acha que a sorte das urnas será diferente para si nestas eleições?

AG – São eleições diferentes e as circunstâncias também são outras. Agora estou numa lista partidária, e, por conseguinte, a responsabilidade é maior. Queremos ganhar e tudo temos feito para isso, mas a decisão final será do povo de São Vicente. 

MI – Como está a sentir o impacto do início oficial da campanha? Quais tem sido os aspetos positivos e negativos?

AG – Durante a pré-campanha sentimos uma forte adesão à nossa candidatura e o sentimento continua a ser igual. O impacto tem sido muito positivo e as mensagens de apoio sucedem-se.

Um aspeto negativo é a falta de coordenação da CNE no controlo da localização das sedes de campanha. Tem provocado alguns constrangimentos.

MI – Os partidos estão a ser criticados por promoverem aglomerações em plena pandemia da Covid. Que medidas o PAICV tem estado a adotar para evitar essa situação?

AG – Nós tomamos todas as medidas anunciadas pelas autoridades sanitárias e pela CNE, designadamente o uso obrigatório de máscaras, distanciamento e higienização das mãos. Os nossos carros de som móveis transmitem mensagens de proteção contra a pandemia da Covid 19 e na nossa mensagem final em cada bairro fazemos um forte apelo ao respeito das normas sanitárias.

MI – Propõe uma nova centralidade urbana em S. Vicente pelos lados do Calhau e Saragaça um investimento de 10 milhões de euros. Como essa segunda cidade poderia ajudar no processo de desenvolvimento da ilha?

AG – O valor de 10 milhões de euros é apenas a infra-estruturação. Esta nova centralidade será o novo polo de desenvolvimento de São Vicente. É onde deverão localizar-se as novas empresas, hotéis, resultado do Investimento Estrangeiro, pelo que garante à partida o desenvolvimento da ilha. É onde também irá surgir os grandes prédios de São Vicente para também colaborar na resolução do problema de Habitação na ilha.

MI – Se for eleito como vai defender os interesses de S. Vicente se entrarem em choque com os do PAICV?

AG – Se for eleito será para governar São Vicente e defender os interesses da ilha e não defender interesses partidários. Não pretenderemos entrar em choque com ninguém, seja com o PAICV, MpD, UCID e muito menos com o Governo Central. Pelo contrário, pretendemos desenvolver sinergias com todas as forças politicas, nomeadamente com as forças representadas na Câmara e Assembleia em prol do desenvolvimento da ilha e, particularmente, um trabalho de complementaridade e de entre-ajuda com o Governo Central que, numa Administração Centralizada como a nossa, é quem condiciona fortemente a autonomia das iniciativas locais. Por isso precisamos também descentralizar e regionalizar o País. 

/Se for eleito será para governar São Vicente e defender os interesses da ilha e não defender interesses partidários. Não pretenderemos entrar em choque com ninguém, seja com o PAICV, MpD, UCID e muito menos com o Governo Central.

MI – Como almeja o futuro de S. Vicente se for eleito a nível social, económico, cultural e desportivo?

AG – A nossa plataforma eleitoral já prevê um São Vicente desenvolvido onde será possível viver com prazer. A nível social e económico há muitos problemas e constrangimentos a vencer e não pouparemos esforços para os ultrapassar. A nível cultural continuaremos a estimular a criatividade artística que é uma marca distintiva de São Vicente. A nível desportivo continuaremos a apoiar todas as associações desportivas existentes, federadas ou não federadas, para podermos competir a alto nível nacional e permitir que continue a surgir talentos que possam ter sucesso também a nível internacional.   

Contar com a colaboração dos outros candidatos na gestão da CMSV

MI – Esta disponível a ser vereador se perder a campanha? Ou seja, está disposto a trabalhar com outra lista vencedora?

AG – Não conto perder as eleições, por isso penso que a pergunta deve ser ao contrário, isto é, se espero contar com a colaboração dos cabeças-de-lista das outras forças concorrentes. Claro que sim, e a minha forma de gerir é de juntar, porque todos somos poucos para o gigantesco trabalho que nos espera.

MI – O que promete para a juventude, em particular aos formados desempregados?

AG – Basta consultar a nossa Plataforma Eleitoral para constatar a sua riqueza no que concerne à juventude. Aos formados desempregados, concretamente, propomos a sua requalificação, seja para adquirir novas competências, nomeadamente orientadas para o mercado de trabalho disponível, seja para aumentar a sua competitividade na sua área de atividade. Esta fase deverá ser suportada pela Camara Municipal ou no máximo co-financiada pelas famílias. Para os desempregados, sem qualificação profissional, estamos a propor a criação de uma Escola Profissional Municipal que os ajude a encontrar uma vocação profissional de forma a melhor se poderem enquadrar no mercado do trabalho.

O Mindel Insite começa a publicar as entrevistas com os quatro candidatos na corrida à CMSV. Foi remetido um questionário com 10 perguntas a todas as candidaturas, que serão publicadas nos próximos dias.
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