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Mindelact encerra 32.ª edição com 3.500 espectadores e apelo ao reforço das condições para o teatro em Cabo Verde

O Festival Internacional de Teatro Mindelact encerrou a sua 32.ª edição com um balanço de cerca de 3.500 espectadores, 100 artistas e 32 espetáculos, num ano marcado por desafios logísticos, limitações das infraestruturas culturais e uma aposta pioneira na acessibilidade. No encerramento, a organização destacou a capacidade de resistência do festival, enquanto o ministro da Cultura e das Industrias Criativas, Juventude e Desporto, António Duarte Sequeira, reconheceu a necessidade urgente de melhorar as condições de trabalho dos artistas e dos espaços culturais no país.

Sob o lema “Raiz”, esta edição do Festival Mindelact ficou marcada pela capacidade de adaptação da organização perante as dificuldades encontradas em alguns espaços de apresentação. Em nome desta associação, Elba Lima reconheceu que foi uma edição exigente, com momentos em que foi necessário improvisar e encontrar soluções para ultrapassar obstáculos.

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“O teatro aconteceu porque tivemos artistas que não desistiram, equipas dedicadas que deram tudo de si e, acima de tudo, um publico extraordinário que esteve sempre connosco”, frisou, indicando que apesar das adversidades, o festival conseguiu reunir cerca de 3.500 espectadores, 100 artistas e apresentar 32 espetáculos. Incluiu ainda seis formações, num total de 30 horas de capacitação, com atividades distribuídas por três ilhas, oito palcos e 14 espaços. Mais de 60% da programação foi gratuita, numa estratégia que, segundo Elba Lima, reafirma o compromisso de tornar a cultura acessível a todos.

Um dos destaques desta edição do festival, garantiu ainda, foi a introdução de uma programação especificamente orientada para a inclusão de pessoas com deficiência auditiva, pessoas neurodivergentes e com mobilidade reduzida. A organização disponibilizou informações detalhadas sobre as condições de acessibilidade dos espaços e selecionou espetáculos adequados a estes públicos. Elba Lima considerou resta iniciativa um passo pioneiro em Cabo Verde, embora reconheça que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir que todos possam participar plenamente na vida cultural.

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No balanço da edição, agradeceu às instituições que contribuíram para a realização do festival, destacando o apoio do Ministério da Cultura na disponibilização da verba destinada ao evento, apesar dos constrangimentos orçamentais, e na mobilização de esforços para garantir a climatização da do Centro Cultural do Mindelo, concluída a 4 de novembro. Elba Lima também reconheceu o empenho das instituições, defendendo que o diálogo e a colaboração entre a sociedade civil e o poder público são fundamentais para fortalecer a cultura. A responsável destacou ainda o papel dos artistas, das equipas técnicas, dos voluntários, dos parceiros e, sobretudo, do público, que considerou determinante para a continuidade do festival.

Associando o lema “Raiz” à resistência demonstrada ao longo da edição, defendeu que a cultura deve ser encarada como um direito e não como um privilégio. Deixou também uma mensagem de esperança nas futuras gerações, apelando à criação de um país onde os artistas tenham condições dignas para desenvolver o seu trabalho e onde a arte seja devidamente valorizada. “No fundo, é isto que fazem os no Mindelact: semeamos futuros”, afirmou, antes de anunciar o regresso do festival em 2027.

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Falta de equipamentos culturais

No seu discurso de encerramento, o ministro da Cultura, António Duarte, reconheceu que a insuficiência de equipamentos culturais constitui atualmente um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento das artes em Cabo Verde. “O calcanhar de Aquiles para o país”, afirmou, referindo-se à falta de infraestruturas, nomeadamente salas de espetáculos, uma dificuldade que, frisou, não afeta apenas o Mindelact, mas todo o setor cultural nacional.

Num momento em que decidiu afastar-se do discurso institucional para falar diretamente com os artistas e responsáveis do festival, António Duarte afirmou identificar-se com as dificuldades enfrentadas pela comunidade cultural. “Também sou resistente. As dores do Mindelact, as dores dos artistas, as dores da cultura de Cabo Verde também são as minhas dores”, declarou, recordando a sua ligação à Cooperativa Resistência de Bela Duate e a participação dos seus pais em manifestações em defesa da cultura e das artes no país.

O ministro admitiu que os apoios financeiros do Estado às iniciativas culturais nunca serão suficientes para responder a todas as necessidades, mas garantiu que o Governo pretende continuar a trabalhar para melhorar os mecanismos de financiamento e as condições do setor. Sobre a climatização do auditório do CCM, explicou que a solução instalada é provisória e anunciou que, nos próximos meses, deverá ser implementado um sistema de ar condicionado industrial, adequado às exigências de auditórios e salas de espetáculo. O governante alegou que questões logísticas impediram a resolução do problema em tempo oportuno, mas assegurou que o Ministério procurou encontrar uma alternativa para evitar maiores constrangimentos durante o festival.

Governo promete reforçar condições para os artistas

Para António Duarte, o Mindelact é muito mais do que um festival de teatro, considerando-o uma plataforma de valorização dos artistas, formação de públicos, intercâmbio internacional e promoção da diversidade cultural. Segundo o ministro, a continuidade do evento ao longo de mais de três décadas demonstra a capacidade de criação e projeção cultural de Cabo Verde, apesar da sua dimensão geográfica.

Reafirmou que o programa do Governo atribui à cultura um papel estratégico no desenvolvimento nacional, defendendo que esta não deve ser encarada apenas como entretenimento, mas também como uma dimensão fundamental da identidade, da educação, da cidadania e da economia. Nesse sentido, apontou como prioridades o reforço das estruturas culturais, a ampliação dos mecanismos de financiamento, a promoção da formação artística, o estímulo ao empreendedorismo cultural e a criação de oportunidades para que os jovens possam encontrar nas artes um espaço de realização pessoal e profissional.

O ministro deixou ainda uma mensagem de incentivo aos artistas cabo-verdianos, apelando à continuidade da criação, experimentação e afirmação da identidade cultural do país nos palcos nacionais e internacionais. “Ousem sempre porque a ousadia é a marca deste país”, desafiou. Ao reafirmar o compromisso do Governo com a valorização da cultura, o fortalecimento das indústrias criativas e a dignificação dos profissionais do setor, António Duarte defendeu uma cultura mais dinâmica, descentralizada, acessível e sustentável.

A 32.ª edição do Festival Mindelact terminou com números expressivos de participação, uma aposta reforçada na inclusão e, sobretudo, com um apelo à melhoria das condições estruturais para que o teatro e os artistas possam continuar a crescer no país.

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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