UCID defende reformas na Educação de longo prazo e questiona sucessiva alteração das políticas educativas

A educação deve ser encarada como uma prioridade nacional e não apenas como uma questão de governação, este foi o posicionamento defendido hoje, na cidade do Mindelo, pela deputada Zilda Oliveira. Em conferência de imprensa, a parlamentar eleita pela UCID apresentou as principais posições do partido para a primeira sessão plenária de outubro, destacando a necessidade de reformas educativas de longo prazo e a melhoria das condições das escolas.
Para a UCID, o sistema educativo cabo-verdiano deve deixar de estar focado apenas no acesso e nas taxas de aprovação e passar a valorizar os resultados da aprendizagem. “Para a UCID não basta aumentar o número de alunos nas escolas ou anunciar novas medidas. É necessário garantir que os cerca de 130 mil alunos nas 400 escolas do país tenham, efetivamente, acesso a uma educação de qualidade, inclusiva, equitativa e capaz de prepará-los para os desafios do futuro”, clarificou.
A UCID, segundo Zilda Oliveira, defende uma mudança no modelo educativo e uma maior aposta no desenvolvimento de competências. A deputada criticou ainda a sucessiva alteração das políticas educativas, de acordo com os ciclos governativos, e defendeu uma visão de longo prazo para o sector. “Portanto, nós defendemos reformas de longo prazo, 30, 40, 50 anos, e não reformas de 10 ou 15 anos”, pontuou.
Em São Vicente, a UCID aponta problemas relacionados com a degradação do parque escolar, falta de equipamentos e espaços adequados, além da insuficiente capacidade das escolas secundárias. A deputada defende a construção de uma nova escola secundária e uma nova visão para o ensino técnico. “Em São Vicente há anos que as matrículas do sétimo ano excedem a capacidade das escolas secundárias e, na via técnica, as oficinas não chegam para quem tem essa vocação. Nós precisamos de uma nova escola em São Vicente, uma nova escola secundária e de uma visão para o ensino técnico”, declarou.
No ensino superior, a UCID diz ser favorável à gratuitidade das propinas nas universidades públicas, mas questiona o seu impacto na qualidade e sustentabilidade das instituições. “Nós saudamos o princípio porque nós entendemos que abre portas a muitas famílias, mas é importante garantir que essa gratuidade não irá pôr em causa nem a qualidade nem a sustentabilidade do ensino superior público”, alertou.
Os democratas-cristãos contestam a extinção da agência ARES e aproveitaram a conferência de imprensa para pedir esclarecimentos sobre a eventual fusão da UTA com a Uni-CV. Zilda Oliveira aponta que o Parlamento deve ouvir as instituições antes de qualquer decisão. “A UCID não concorda com a extinção da Ares e acreditamos que seria um retrocesso para o país”, disse a deputada.
A situação da agricultura e os desafios do setor da saúde estarão também entre os temas levados pela UCID à sessão parlamentar de outubro. No domínio agrícola, o partido destaca a escassez de água, o aumento dos custos de produção, as dificuldades de escoamento e o impacto das alterações climáticas.
A primeira sessão plenária de outubro realiza-se de 25 a 27, com a UCID a apresentar as suas propostas e questionamentos ao Governo nas áreas da educação, agricultura e saúde.
Ronice Fortes (Estagiária)






