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ARFHSV quer regulamentação dos ginásios e qualificação dos profissionais do exercício físico: “Proteger a saúde pública e os investimentos privados”

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A Associação de Fisiculturismo e Halterofilismo de São Vicente estabeleceu como uma das suas metas levar o Estado a regulamentar o funcionamento dos ginásios desportivos e estimular a qualificação contínua dos profissionais do treino físico. A presidente da ARHFSV sublinha que a regulamentação não pretende criar burocracia, mas sim estabelecer padrões mínimos de qualidade, segurança e responsabilidade, proteger os praticantes, valorizar os profissionais e conferir segurança jurídica aos empresários que investem no setor.

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Esta visão foi exposta ao ministro do Desporto por Sónia Jesus, recém-eleita presidente da ARFHSV, que chamou atenção nesse encontro para o número expressivo de espaços de treino físico e de monitores existente na ilha de São Vicente, e com tendência a aumentar, mas também para os riscos de acidentes associados. A advogada realçou, em entrevista ao Mindelinsite, que a sua principal preocupação é com a saúde dos praticantes, mas também com a proteção jurídica dos interesses dos próprios empresários, que fazem pesados investimentos no sector. “Regulamentar não significa criar burocracia. Significa proteger vidas. Significa proteger os cidadãos, valorizar os profissionais qualificados, dar segurança aos empresários que investem com responsabilidade e reforçar a credibilidade de um sector cuja importância cresce todos os dias”, clarifica.

Sonia Jesus – presidente da ARFHSV

A dirigente enfatiza que a prevenção continua a ser menos onerosa do que tratar a doença e que investir no exercício físico significa reduzir custos com os cuidados de saúde, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade de vida da população, logo, contribuir para a sustentabilidade do sistema nacional de saúde. Lembra ainda que os ginásios passaram a ser procurados por pessoas de todas as idades – muitas para ganhar massa muscular, adquirir uma determinada estética e/ou melhorar a qualidade de vida -, que acabam por frequentar espaços vocacionados para o bem-estar físico e mental, mas que representam, ao mesmo tempo, potenciais riscos à saúde/segurança dos usuários devido a presença de máquinas e materiais pesados.

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Sónia Jesus lembra que em vários países têm-se registado acidentes graves em espaços de treino, alguns com consequências fatais. Embora nenhum sistema elimine totalmente os riscos, considera que a existência de profissionais qualificados, de regras claras e de condições adequadas ao funcionamento dos ginásios podem reduzir significativamente a probabilidade de tais acontecimentos. “Mais do que reagir quando o problema ocorre, importa preveni-lo através de um quadro regulamentar que proteja os praticantes, promova boas práticas e reduza situações suscetíveis de gerar responsabilidade civil e, nos casos mais graves, responsabilidade penal”, adverte a advogada de profissão.

No caso de Cabo Verde, em particular da cidade do Mindelo, os ginásios entraram definitivamente na rotina de crianças, jovens, adultos e idosos, cada um com o seu propósito pessoal, mas todos à procura do reforço da condição física e de uma melhor saúde.  “O treino de força deixou de ser visto apenas como uma prática associada ao rendimento desportivo ou à estética. Hoje é reconhecido como um dos pilares da promoção da saúde e do envelhecimento saudável”, porque, segundo a citada fonte, “preservar a massa muscular significa garantir autonomia, reduzir o risco de quedas e fraturas, melhorar a densidade óssea, prevenir a fragilidade e permitir que as pessoas mantenham a sua independência durante mais tempo.

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Esta evolução, prossegue esta também árbitra nacional de fisiculturismo, explica o crescimento do sector do fitness em Cabo Verde. A grande procura, salienta, levou a mais oferta de ginásios e do número de profissionais associados ao treinamento. Contudo, este crescimento, para a presidente da ARFHSV, coloca uma questão incontornável: estará o Estado a acompanhar esta nova realidade?

Quando um sector passa a influenciar diretamente a vida de milhares de cidadãos, no seu entender, deixa de ser apenas uma questão desportiva: passa a constituir uma pauta da saúde pública. “Quando milhares de cidadãos confiam diariamente a sua saúde aos profissionais do exercício físico, torna-se indispensável assegurar que essa atividade se desenvolva com elevados padrões de qualidade, segurança e competência técnica”, posiciona a responsável da referida associação, destacando que nunca tanta gente procurou os ginásios no país como agora. Alerta, no entanto, que um programa de treino inadequado será suficiente para comprometer resultados, agravar patologias existentes ou provocar lesões. Logo, enfatiza, quem orienta exercício físico deve possuir formação técnica adequada, conhecimento científico, sentido de responsabilidade e atualização permanente. Isto porque, nas palavras dela, quem entra num ginásio entrega, muitas vezes, o seu bem mais precioso: a saúde.

É por isso que, destaca a nossa entrevistada, o crescimento do fitness exige agora uma resposta clara do Estado. Não apenas através do apoio ao desporto competitivo, mas igualmente de políticas públicas que integrem o exercício físico como um pilar da política nacional de saúde. E isso implica promover a qualificação dos profissionais, reforçar a formação contínua dos agentes desportivos, definir critérios para o funcionamento dos espaços de exercício físico e criar um enquadramento jurídico moderno que acompanhe a evolução do sector.

Enquanto Presidente da mencionada associação, Sónia Jesus diz acreditar que o fisiculturismo, o halterofilismo e o fitness representam hoje muito mais do que modalidades desportivas. São, diz, uma oportunidade de promoção da educação, disciplina, inclusão e qualidade de vida. Nesse sentido, defende o estabelecimento de canais de diálogo entre o Estado, as associações, os profissionais da saúde, as instituições de ensino e todos os operadores do sector. Como diz, o futuro do desporto em Cabo Verde não se mede apenas pelo número de medalhas conquistadas, mas também pela capacidade de se construir uma população mais saudável, activa, produtiva e com melhor qualidade de vida. “Ignorar esta transformação seria desperdiçar uma das mais importantes ferramentas de prevenção da doença, promoção da saúde e desenvolvimento humano de que o país dispõe.”

Durante muito tempo, o desporto foi encarado sobretudo como competição, rendimento e conquista de medalhas. Esta perspectiva, diz, continuará sempre a ser uma dimensão essencial, mas já se mostra insuficiente no Cabo Verde do século XXI. Limitar o desporto ao alto rendimento, alerta Sónia Jesus, será ignorar uma das mais poderosas ferramentas de prevenção de doenças e de desenvolvimento humano de que um país dispõe.

Sobre esta matéria, o ministro do Desporto assegurou à imprensa que a regulamentação dos ginásios e dos personal trainers faz parte da agenda do Governo. Entende que é preciso uma fiscalização mais rígida dos espaços de treino físico, legislar no sentido da melhoria das condições nos ginásios e para que os personal trainers possam trabalhar em prol da saúde das pessoas, e não o contrário.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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