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Icónico grupo “Quês Moce” regressa ao activo com a obra discográfica “Sentimento perdido”, com 9 mornas e 1 coladera

“Sentimento perdido”, o segundo trabalho discográfico do icónico grupo musical Quês Moce, será revelado num concerto marcado para o dia 26 de junho, no Instituto Cultural de Cabo Verde, em Lisboa. Composta por 9 mornas e uma coladeira de diversos autores cabo-verdianos, a obra foi gravada há menos de um mês em Portugal e já está lançada na internet, estando ainda prevista a sua apresentação na cidade do Mindelo no mês de outubro.

A iniciativa surgiu, conforme o guitarrista e médico Humberto Évora, após um show em Lisboa do grupo Quês Moce (versão 2.0) e que alcançou enorme sucesso. Isto apesar de ser um agrupamento mais conhecido pela geração acima dos 45 anos de idade, pessoas que tiveram a oportunidade de apreciar a melódica voz do cantor Cotchi em músicas como “Um sunhá que bô nha terra cretxêu”.

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“Para nosso espanto, a casa estava cheia. Pensei de seguida em lançarmos um segundo trabalho discográfico inovador e entrei logo em contacto com alguns elementos da versão original do grupo Quês Moce, como Bilocas, Miquinhas, Dany Silva”, conta Humberto Évora, cuja ideia encontrou acolhimento e passou a recolher colaborações de trabalhos feitos por outros compositores. Passo seguinte, abordou o instrumentista Humberto Ramos, que disponibilizou a sua larga experiência no refinamento dos arranjos, assim como o seu estúdio de gravação.

Acabou, assim, por reunir obras fornecidas por Sónia Évora (que disponibilizou ainda uma morna de Tututa), Miquinhas, Daniel Rendall, Bilocas Lima, Djòne Santos, Fabrízio Croce, Dany Silva e da sua própria autoria. Aliás, “Sentimento Perdido”, morna instrumental que intitula o disco, é da autoria de Humberto Évora.

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Executada no violão, a composição resulta de um reencontro com as raízes da música cabo-verdiana em Portugal, onde este médico de profissão, que trabalhava em Macau, viu como artistas da terra-mãe tocavam a Morna, com os seus bordões. “Fiquei impressionado com os bordões que faziam. De repente, eu que costumava tocar rock num grupo em Macau, dei-me conta que essa, sim, era a minha música. Daí o título sentimento perdido, algo que estava aqui dentro e que foi reencontrado ou reconhecido”, explica.

O trabalho, salienta, é composto apenas por mornas, musicadas com a devida originalidade e qualidade. A obra, no entanto, não tem fins comerciais. Aliás, foi integralmente financiada pelo próprio Humberto Évora, que decidiu aplicar as suas economias numa área que adora: a música.

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Está ainda prevista a gravação de 200 a 300 cópias em CD, que serão usadas fundamentalmente para oferta ou venda nos espectáculos. Humberto Évora esclarece que há uma expectativa diferente sobre este trabalho, em comparação com o primeiro CD do grupo Quês Moce. Relembra que o disco lançado em 1977 surgiu da carolice de uma malta jovem, enquanto este segundo é fruto de pessoas mais maduras e sem fins comerciais. Um gesto resultante do profundo amor pela cultura cabo-verdiana e o gênero musical Morna.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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