O curso de Inteligência Artificial, realizado nos dias 27 e 28 em S. Vicente, quebrou preconceitos e ajudou os participantes, na sua grande maioria representantes de empresas que operam na ilha, a identificar oportunidades de aplicação no contexto profissional. Promovido pela Cegid Academy, durante os dois dias, foram partilhados conceitos da IA e do machine learning e apresentados casos reais de uso concretos em vários setores de atividades.
Estas apreciações foram feitas no encerramento deste curso, que contou com 22 alunos. De forma geral, estes manifestaram desejo de aprofundar os conhecimentos neste domínio, tendo em conta as atualizações constantes e a relevância para a sua profissão. São os casos, por exemplo, de Pedro Fernandes, empresário da área de contabilidade na Ribeira Grande, ilha de Santo Antão, e Pedro Medina, da Matec.
“Esta formação foi um grande momento para clarear o que é exatamente o ChatGPT, a sua importância e dimensão. Saio daqui com uma outra percepção do seu alcance e também das suas limitações e, principalmente, quebrou a ideia que tinha que, a partir do ChatGPT, tenho tudo. Não, temos de continuar a procurar mais conhecimentos. O ChatGPT é uma ferramenta para nos ajudar a acelerar os processos”, explicou Pedro Fernandes. A este propósito, cita o formador quando afirma que um processo estimado em duas horas, com o Chat CPT como assistente, pode ser feito em metade do tempo ou menos. “Ganhamos celeridade.”
Pedro Fernandes alerta, no entanto, para alguns cuidados no uso desta ferramenta, sobretudo por crianças, e para a necessidade de se criar regras de utilização e leis nacionais para regular a sua utilização.
Entendimento similar tem Pedro Medina, da Matec, para quem a formação foi excelente porque antes ouvia falar da IA de forma passiva e utilizada sem muito conhecimento. “Essa formação permitiu-nos saber o que é Inteligência Artificial e como aplicá-la nos afazeres. Logo, ela também vai acrescentar um valor significativo ao nosso trabalho, seja ao nível do automatismo, da eficiência, opinião, entre outros.”
Segundo Medina, a Matec fez-se representar pela sua direção financeira e parte da gestão, tendo em conta a importância do curso na simplificação e optimização dos processos. “Uma das nossas preocupações são as pessoas. Se pudermos efetivamente simplificar os processos, envolvendo os nossos colaboradores, com uma rapidez muito maior, é extraordinário. Por isso que digo que esta formação foi óptima.”

Segundo o formador Frederico Peixoto, o curso apresentou os conceitos gerais de IA e sua aplicação nos negócios. “O que fizemos aqui foi pegar alguns pontos gerais e verificar de forma prática o que podemos mudar e implementar no dia-a-dia: como melhorar os processos, aumentar a eficiência e produtividade, e também desmistificar a AI. Isto porque, muitas vezes, achamos que ela vai acabar com os empregos. Mas o que vimos é que a IA consegue melhorar muitas tarefas, sobretudo as mais competitivas.”
Este formador reconhece que ainda existem muitos desafios e que estes são gigantes, sejam eles técnicos, de formação das pessoas, a nível dos governos, nomeadamente se querem efetivamente introduzir a IA e ensinar as pessoas a tirar proveito dela, entre outros. “Esta foi a segunda formação do gênero que ministrei em Cabo Verde. Mas já orientei outros cursos aqui e os feedbacks, de maneira geral, têm sido positivos e têm tido algum impacto. Há ações claras de melhorias em algumas empresas que têm saído dos cursos.”
Frederico Peixoto garante que esta formação foi desenhada essencialmente para o mercado empresarial, mas é aberta, tendo em conta a linguagem utilizada e as adaptações feitas. É especialista em gestão de operações e projetos, já trabalhou em várias multinacionais e tem um perfil analítico, voltado para o desempenho graças à experiência em gestão de projetos e desenvolvimento de negócios.







