Os cabo-verdianos estão a descobrir e a aderir às chamadas terapias alternativas-holísticas, prova disso foi uma imersão realizada pelo terapeuta Herculano Cruz no passado domingo nas montanhas de Pico da Cruz, que mobilizou 40 participantes das ilhas de S. Vicente e Santo Antão. A proposta foi propiciar um encontro integral – corpo/mente e a energia vital -, num processo de cura com os pais e ancestrais. Uma viagem de expansão da consciência activada através de técnicas de respiração – sensorial breathwork –, estruturadas para despoletar uma viagem profunda da mente e activação da energia Kundalini.
“A respiração é o único sistema que pode influenciar todos os outros. Quando usada de forma correcta, o corpo entende que estamos seguros e em paz. Muita gente respira de forma disfuncional, por isso têm muitas vezes uma queda de energia ao longo do dia”, comenta Herculano Cruz. Tais pessoas, prossegue, costumam recorrer a várias substâncias, como café e comprimidos, quando poderiam atingir o estado de espírito pretendido com a técnica correcta de respiração.

Isto é possível porque, explica o terapeuta, a sensorial breathwork desperta a energia vital, que recebe nomes diferentes nalgumas culturas, como Chi, Ki, Prana… “Por isso chega um momento na imersão em que digo às pessoas que, a partir desse instante, passaram a ser um alquimista do ar, que é quando passam a transformar oxigénio em energia”, revela Herculano Cruz, para quem a respiração é a maior tecnologia que o corpo humano possui para alcançar alta-performance, quietude e bem-estar.
Este campo, reforça, é catalisado quando a imersão acontece num ambiente natural propício. No caso da sessão de domingo, o cenário escolhido foi Pico da Cruz, em Santo Antão, uma floresta exuberante onde os pinheiros predominam. O terapeuta adianta que desde junho de 2025 que decidiu passar a realizar essas experiências fora do seu espaço normal de atendimento. Para o efeito, escolheu três sítios onde a energia flui com leveza e encantamento: Serra Malagueta (Santiago), Monte Gordo (São Nicolau) e Pico da Cruz (Santo Antão). Desde essa data já realizou 4 sessões em Santiago, 3 em Santo Antão e 2 em São Nicolau, com resultados bem satisfatórios, tendo em conta o feedback dos participantes.
“Decidi levar as imersões para o ar livre porque a nossa rotina fecha-nos muitas vezes nos escritórios ou em casa e vamos perdendo a conexão com a natureza. Eu podia escolher outros pontos, mas apostei nas montanhas com vegetação porque o ambiente convida logo ao relaxamento”, explica.
Com anos de experiência em terapias alternativas, Herculano Cruz confirma o despertar da paixão dos cabo-verdianos por esse mundo isotérico. Na sua visão, as pessoas mostram-se mais aptas a experienciar coisas diferentes para alcançarem o bem-estar físico e emocional. “Estamos a atravessar uma época interessante, com pessoas de diferentes idades abertas á espiritualidade, à procura de um conhecimento que lhes proporcione experiências transcendentais na vida”, enfatiza.
Houve, no entanto, um fenômeno que, sua perspectiva, serviu como um impulsionador: a pandemia da Covid-19. Herculano Cruz mostra-se ciente de que o isolamento social ditado pela doença obrigou muitas pessoas a repensarem a sua vida. Por outro lado, diz, a situação despoletou muitos casos de distúrbios mentais, desde stress, ansiedade e depressão. “A partir da pandemia, mais pessoas passaram a procurar alternativas ao tratamento dos seus casos”, considera.
As imersões envolvem desde adolescentes, com idade mínima de 16 anos, a pessoas na casa dos setenta. A próxima sessão acontece na Serra Malagueta no mês de junho e tem como objectivo levar à conexão com a criança existente em cada indivíduo e ajuda-lo a curar feridas da sua infância.







