Os três engenheiros de uma das maiores empresas internacionais de engenharia holandesa, a Royal Haskoning, regressam esta segunda-feira aos Países Baixos, após concluirem a fase inicial de avaliação do risco de inundações em São Vicente. A iniciativa partiu do movimento “Força Pa São Vicente”, criado por um grupo de empresários cabo-verdianos nesse país europeu após a tempestade Erin. Pretendem trabalhar, em parceria com instituições locais, nacionais e internacionais, para uma reconstrução mais forte, segura e resiliente de S. Vicente.
A missão, que durou uma semana, foi realizada no seguimento das cheias de agosto de 2025, que afectaram a ilha de São Vicente e as suas gentes. Segundo Jorge da Veiga, a vinda a São Vicente dos engenheiros da Haskoning marca um passo fundamental rumo a soluções estruturais e sustentáveis para a ilha. “Durante esta semana, os três engenheiros estiveram no terreno a fazer levantamentos técnicos, análises hidrológicas e de drenagem, avaliação de vulnerabilidades e estudos preliminares de impacto das alterações climáticas”, explicou, em uma entrevista exclusiva ao Mindelinsite.

Trazer estes especialistas a S. Vicente foi possível, disse este empresário, porque o grupo, que está comprometido com soluções sustentáveis para Cabo Verde, realizou um crowdfunding junto da comunidade cabo-verdiana na Holanda e conseguiu arrecadar cerca de 150 mil euros. “Somos cinco empresários, sendo que um deles é do Suriname, casado com uma cabo-verdiana. Foi ele, aliás, que lançou o crowdfunding, mas todo o trabalho foi coordenado de forma transparente pelo movimento ´Força pa São Vicente. Após a fase inicial de ajuda humanitária às famílias afetadas, o movimento entendeu que era necessário realizar uma nova etapa para a reconstrução estrutural com base científica e técnica. Foi neste contexto´, e com os recursos arrecadados, que contratamos a Haskoning.”
Durante a sua estada na ilha, diz Da Veiga, estes especialistas reuniram-se com representantes da Câmara de São Vicente, o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, o Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, a Electra, o Ministério da Agricultura e Ambiente, a Agência Nacional de Água e Saneamento e técnicos responsáveis pela gestão territorial e das infraestruturas. “Esta abordagem integrada permitiu um diagnóstico aprofundado sobre as causas estruturais das cheias de agosto de 2025, as zonas mais vulneráveis, cenários de risco futuro e medidas prioritárias de mitigação e adaptação.”

Os especialistas têm agora a responsabilidade de produzir um documento intitulado “São Vicente Flood Risk Assessment – Plan of Approach”, que inclui uma análise detalhada das causas das cheias, avaliação do risco de futuras inundações, estudo do impacto das alterações climáticas, identificação de intervenções estruturais, consultas técnicas com autoridades nacionais e recomendações para reforço da resiliência urbana. “O nosso objetivo não é apenas reparar os danos, mas fortalecer São Vicente face a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes”, garante este entrevistado.
Este plano, no entender de Jorge da Veiga, pode servir de base para políticas públicas, contribuir para planos de adaptação climática, atrair cooperação internacional para projetos estruturais e reforçar a capacidade técnica local. “Entendemos que este é o caminho porque, se limitarmos a distribuir marmitas e roupas, em caso de uma nova catástrofe, teríamos de repetir tudo de novo, ou seja, recolher donativos para ajudar as famílias. Por isso, decidimos aplicar o fundo em algo mais concreto e duradouro.”
O empresário justifica que residem na Holanda, um país especializado nesta área, porque foi “construído” conquistando terreno em água e a empresa Haskoning é conhecida por sua expertise a nível mundial. “É uma empresa internacional independente de engenharia e consultoria, com sede nos Países Baixos, especializada em soluções sustentáveis nas áreas de água, infraestruturas, clima e gestão ambiental. É reconhecida mundialmente pela sua experiência em gestão de recursos hídricos e inovação tecnológica.”

A atuação de “Força pa São Vicente”, refira-se, foi estruturada em quatro fases. Na primeira distribuíram refeições quentes e água às famílias; na segunda apoiaram o envio de 10 contentores – dois foram totalmente financiados pelo movimento com recursos arrecadados no montante de 10 mil euros-; na terceira ajudaram cinco famílias a reabilitar as suas casas – o objectivo é atingir 15 moradias -; na quarta, contrataram a Haskoning para ajudar a resolver problemas estruturais.







