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Grupo de sindicatos apresenta “Plataforma Sindical” para resgatar UNTC-CS

Doze sindicatos filiados na União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde-Central Sindical apresentaram esta quinta-feira no Mindelo a “Plataforma  Sindical – Unir e Resgatar a UNTC – CS” para, de entre outros, pressionar a Secretaria Geral daquela central sindical a prestar contas aos associados, através do órgãos próprios, no caso o Conselho Nacional. Realçam que o órgão, ao abrigo dos Estatutos, deve reunir-se pelo menos uma vez por ano. 

Tomás de Aquino Delgado, porta-voz do grupo, informa que o objetivo desses sindicatos é resgatar a UNTC-CS e obrigar esta central a cumprir os preceitos legais. “O nosso objetivo é simplesmente isso. Não pretendemos derrubar ninguém. Queremos sim resgatar a nossa central sindical”, diz, realçando que conta com apoio dos 12 Sindicatos que, em conjunto, constituem a maioria dos filiados da UNTC-CS, que são 17 associados. 

Apesar disso, diz, a SG  não reconhece esta corrente de opinião político-sindical, a que se convencionou chamar Plataforma Sindical e tudo tem feito, através da comunicação social, para tentar desvalorizar esse facto, indo ao ponto de dizer que os Estatutos da UNTC-CS não o permitem. O grupo questiona a liderança de Joaquina Almeida, que acusa de não preencher os cargos vagos na direcção da Central, nomeadamente da presidente da mesa da CN falecida em 2017, e dos dois vice Secretários-gerais que demitiram em dezembro do mesmo ano.

Acusam ainda Joaquina Almeida de processar os sindicatos de SV, exigindo a sua expulsão da sua “sede histórica”, de perseguir, marginalizar e excluir dirigentes, antigos e actuais, de participarem nas actividades da UNTC-CS e de marginalizar os associados que criticarem a sua liderança. “O objectivo da plataforma, a curto prazo, é o de utilizar todos os meios para travar as arbitrariedades e ilegalidades da SG e repor a normalidade no funcionamento da central. A meio prazo é a realização da CN no próximo ano e, ainda a médio prazo, construir uma alternativa forte e credível à actual liderança.”

Quanto ao próximo congresso da UNTC-CS, está marcado para 2021. Mas esta plataforma quer unir esforço deste já para resgatar a central sindical. É com este propósito que, diz, estão a tentar trazer para este grupo o Sindep que, explica este dirigente sindical, desfilou da UNTC-CS. Tomás Aquino diz ainda que estão a trabalhar com antigos dirigentes sindicais que foram marginalizados, no sentido de os trazer para esta família sindical. 

“A SG tem justificado a não realização da Assembleia Geral com o não pagamento de cotas por parte dos sindicatos. Mas os que estavam atrasados já regularizam a sua situação. Apenas três ou quatro sindicatos continuam com dividas, mas estão a pagar paulatinamente. Por isso, este argumento não tem sentido. Por outro lado, os sindicatos se disponibilizaram a custear as despesas da realização das reuniões”, clarifica Tomás Aquino. 

No caso de S. Vicente, prossegue, lembra que sindicatos deram uma grande contribuição para a eleição de Joaquina Almeida. Mas desde que ela subiu ao poder, diz, distanciou de todos. “Passou a visitar S. Vicente sem antes falar com os sindicatos. Chegou ao ponte de, uma vez, o presidente da União dos Sindicatos de SV sair do seu gabinete e encontrar a SG da UNTC-CS no corredor. Na altura esta visitou algumas empresas na ilha do Porto Grande sem falar com os sindicatos que actua”, exemplifica, lembrando que quem negocia com as empresas são os sindicatos e não a UNTC-CS. 

Lidiane Sales (Estagiária)

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