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Morreu em Portugal o pediatra e activista Arsénio de Pina, vítima de doença prolongada

Morreu em Portugal Arsénio Daniel Firmino de Pina, médico-pediatra e de Saúde Pública aposentado dos Serviços de Saúde de Cabo Verde e das Nações Unidas, vítima de doença prolongada. A sua história de vida mistura-se com a da medicina recente do arquipélago, tendo sido um dos criadores do famoso projecto PMI/PF. Era sócio-honorário da Associação para Defesa do Consumidores e destacou-se como escritor, com uma forte componente humorística, muito própria dos mindelenses. 

Filho de médico, Arsénio de Pina tinha 87 anos. Foi um apaixonado pela profissão e deixou vários registos, verdadeiras pérolas para quem quer conhecer a história e evolução da medicina no país. Os seus artigos podem ser consultados e revisitados nos jornais A Nação, Expresso das Ilhas e A Semana, mas também em blogs e revistas especializadas nacionais e estrangeiros.

Chegou à cidade da Praia em 1967, recém-formado e já com valência de Medicina Tropical, uma exigência na altura. “As condições de trabalho eram poucas ou nenhumas. Não eram muito diferentes das encontradas pelo seu pai na década de vinte e anos seguintes”, lê-se num dos artigos. Fez um estágio de nove meses no Hospital Central da Praia, acompanhando o médico-cirurgião Dr. José Cohen, um dos mais qualificados na altura. Ganhou experiência e trabalhou como generalista polivalente em várias ilhas, antes de chegar a São Vicente com a especialidade pediátrica e de saúde pública em 1976, sem nunca ter podido gozar licença disciplinar, por fazer falta ao serviço, como estipulava o Boletim Oficial, como primeiro pediatra nacional a pisar em solo cabo-verdiano. 

Anos mais tarde, por conta da experiência acumulada a trabalhar nas várias ilhas, Arsénio de Pina foi destacado para dirigir o Projecto de PMI/PF, apoiado pelo colega Pedro do Rosário, mais conhecido por Dr. Rosário. Também em um dos seus escritos, este afirma que foram os dois os inventores do PMI/PF, projecto que não existia em Portugal e nem em África, criada pela Conferência de Alma Ata a partir das oito componentes dos Cuidados Primários de Saúde e que contou com forte apoio da Suécia.

Arsénio de Pina conciliava o trabalho como médico pediatra com o de escritor. Além de manuais e textos de especialidade, é autor dos livros Uli-me li!!; Fi d’cadon!; Você falou de Economia de Bazar?; Mania de pensar, “O cérebro, esse Órgão Perigoso”, Coisas do Djunga!…,Quel canapé de Tr3s Pê, Reflexões e Factos Diversos, Passadores de Pau, Ês ca ta cdi!, Adeche!, Vendilhões em vários templos. Colaborou com todos os jornais de Cabo Verde: A Semana, Expresso das Ilhas, A Nação, e ainda com várias revistas, caso da Revista Infantil de Coimbra e da Revista da Ordem dos Médicos de Cabo Verde, cujo último artigo data de janeiro de 2021 – História da Medicina em Cabo Verde.

Inquieto, estava também sempre disponível para colaborar com alguns blogs, nomeadamente de Brito-Semedo, Praia de Bote e Coral Vermelho. Destaca-se igualmente como activista social. Foi, aliás, fundamental na fase de recuperação da Adeco, conforme António Pedro Silva. “Arsénio de Pina teve um papel fulcral no ressurgimento da Adeco. Durante muito tempo foi mais importante que o próprio Estado de Cabo Verde. Era um dos cabo-verdianos mais ilustres da história recente do nosso país”, enfatizou. 

Arsénio de Pina nasceu a 5 de maio de 1935 na ilha de São Nicolau e faleceu na tarde de segunda-feira, 21 de novembro, na sua casa em Portugal, vitima de doença prolongada. Á família enlutada, os nossos mais sinceros sentimentos de pesar por esta perda irreparável.

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