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MDSV denuncia falta de ‘cultura de segurança em Cabo Verde’ e pede respeito às vitimas de acidentes

O Movimento Civico para o Desenvolvimento de São Vicente, liderado por Maurino Delgado, denunciou esta terça-feira no Mindelo, em nota, a falta de cultura de segurança em Cabo Verde, exemplificando com os vários acidentes ocorridos no país nos últimos, a maioria ainda sem  qualquer responsabilização. Este pede ainda respeito às vítima, às vésperas de mais um aniversário do fatídico acidente com o navio Vicente, que vitimou 15 pessoas e deixou várias famílias desamparadas.

Segundo Maurino Delgado, do dia acidente, 08 de Janeiro – vai completar seis anos na próxima sexta-feira – deve ser lembrado pelo Governo, Câmaras Municipais, deputados, universidades, escolas e sindicatos para educar, sensibilizar,  promover uma cultura de segurança para um país com menos acidentes, factor importante do desenvolvimento. “O escrupuloso respeito pelas normas de segurança é fundamental pela salvaguarda de vidas humanas,  tanto no mar como em terra e esse objetivo só se atinge, com  uma cultura de segurança”, refere. 

Este evoca ainda um outro acidente mais recente, ocorrido em dezembro passado na Praia, em que um trabalhador da construção civil caiu de um andaime e perdeu a vida, este em tudo similar a um outro, na obra de requalificação do Adérito Sena em S. Vicente. Sobre o primeiro, diz, o inspetor do trabalho deixou entender que se verifica uma  “grave violação” das normas de segurança no trabalho, inclusive pelos próprios trabalhadores. E a prova disso é que, em 2019 verificaram-se 389 acidentes com seis vítimas mortais, número excessivo para um um país pequeno.

Uma realidade que leva este mindelense atento a citar uma afirmação feita pela então Ministra da Administração Interna, Marisa Morais que, em um seminário na decorrência da erupção do Vulcão do Fogo, em 2014, disse que Cabo Verde não tem uma cultura de segurança. Para Maurino, esta afirmação encontra respaldo no acidente com o navio Vicente que, argumenta, este saiu de S. Vicente com168 passageiros e 153 toneladas de carga. Fez escala no Sal, de onde partiu no dia seguinte com 149 passageiros e 193 toneladas de carga, apenas com a maquina de estibordo a funcionar. 

“No dia 7 o navio sofreu um corte geral de energia devido a avaria dos dois  geradores. As máquinas pararam e este ficou à deriva.  No porto da Praia um gerador é reparado e o navio parte sobrecarregado para a ilha do Fogo, e 26 pessoas à bordo, entre passageiros e membros da tripulação”, descreve, recordando que o barco estava com problemas nos motores principais, nos geradores e de comando. “O navio Vicente não tinha condições de navegabilidade, operava com permissividade das autoridades marítimas e do próprio Governo”, desabafa, citando dados do relatório do acidente, lembrando que, mesmo assim, nunca ninguém foi responsabilizado. 

Termina dizendo que as 15 vítimas mortais, as perdas materiais, os elevados custos com os serviços de busca e salvamento, os encargos socias com as famílias que caíram na pobreza extrema porque perderam o único meio de subsistência com a morte do  familiar são o pesado balanço do incumprimento das normas de segurança e da negligência institucional. “Tais situações não podem continuar a acontecer”, finaliza.

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