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Funcionárias da CMSV reclamam habitação social: “Somos preteridas, quando devíamos ser priorizadas”

Duas funcionarias da Câmara Municipal de São Vicente, ambas com mais de 30 anos de serviço, procuraram o Mindelinsite para lançar um grito de socorro. Dizem que há anos tentam conseguir uma moradia, sem sucesso. Concorreram para o programa “Casa para Todos” do anterior Governo e não foram chamadas, inscreveram-se na CMSV depois que esta passou a gerir o processo e foram ignoradas, solicitaram terreno por aforamento e não tiveram resposta e, por causa dos salários baixos, não conseguem empréstimos junto da banca para construir. “Estamos sempre à espera de respostas que nunca chegam”, desabafam.

Maria Auxília conta que trabalha há 36 anos como orientadora de um jardim da Câmara Municipal e, desde que começou, tenta conseguir uma casa para morar e assim fugir do aluguer. Com o lançamento do projecto Casa para Todos, a sua esperança de finalmente conseguir uma moradia aumentou. “Fui uma das primeiras 36 pessoas a levantar de madrugada para ficar na fila na Casa do Cidadão para inscrever-me e concorrer para uma das habitações sociais. Sem resposta, voltei as minhas baterias para a CMSV. As respostas que tenho recebido é que não têm casa ou então que as poucas disponíveis são para pessoas com deficiência, mas vejo que são para qualquer pessoa.”

Esta cidadã diz que ter casa própria é um direito consagrado na Lei e, enquanto funcionária do município, deveria ser priorizada. Mas, diz, vem sendo sempre preterida em detrimento de outras classes profissionais. “Ganho um salário mínimo e pago uma renda excessiva, o que acaba por aumentar as dificuldades. Caso fosse contemplada com uma casa com uma renda de até 10 mil escudos, poderia viver com mais folga. Os meus três filhos já são adultos, mas todos vivem comigo. São jovens e apenas um trabalha. Preciso com urgência de uma casa”, implora.

Com uma história muito parecida, Isaura Duarte explica que trabalha há 32 anos como educadora, embora no papel aparece como monitora porque não possui um diploma. Também por causa disso é obrigada a trabalhar por dois períodos. Mas o salário é uma “miséria” pelo que não consegue realizar o sonho de ter a sua casa. “Há anos que tento conseguir primeiro um terreno por aforamento para construir e, posteriormente, uma casa social. Inclusive cheguei a ter uma audiência com o edil Augusto Neves, que me perguntou se não tenho vergonha de pedir casa social. Na altura, respondi-lhe que, com o meu salário, teria de passar fome para construir.”

A revolta desta educadora é ainda maior porque, afirma, muito colegas e outros profissionais, designadamente da polícia e professores, foram contemplados com casas sociais. “Não sei qual o critério que utilizam para seleccionar as pessoas. Mas penso que preencho todos os requisitos, o meu salário é baixo e, neste momento, pago uma renda superior a 15 mil escudos. São muitos anos a viver de aluguer. Penso que, como funcionária da CMSV, deveria ter direito a uma casa própria também”, desabafa Isaura Duarte, que critica a CMSV que antes dizia que “Casa para Todos” era para alguém, mas agora estão a fazer pior porque estas moradias são para os “amigos”.

No seu caso, diz, a situação ganha outros contornos porquanto, por causa do salário baixo, os bancos recusam conceder-lhe um empréstimo para construir. “Vivo uma situação de indefinição, que tende a ser eterno porque a CMSV não me disponibiliza um lote de terreno porque não tenho condições para construir, também não me beneficia com uma casa social, alegadamente porque trabalho e não me enquadro na categoria. Neste momento, os meus filhos moram comigo porque trabalhavam no sector da hotelaria e, com a pandemia, foram dispensados. Está tudo sobre os meus ombros.”

Mais de 8 mil pedidos

O Mindelinsite conversou com a Directora dos Serviços Sociais da CMSV, que explicou que a situação destas duas funcionárias não difere de muitos outros mindelenses, tendo em conta que a procura supera de longe a oferta. Em jeito de exemplo, Risolinda Mendes explica que têm neste momento em mãos mais de oito mil pedidos à espera de despacho. “Não é nada de pessoal. Temos vindo a receber uma média de 20 pessoas por dia. Infelizmente, a procura é maior que oferta. E os pedidos aumentaram depois da inauguração de projecto da Portelinha. Mas é preciso esclarecer que temos pessoas inscritas para estas casas desde 2009″, informa Risolinda Mendes, realçando que é impossível dar atendimento a todos os pedidos.

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