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Bombeiros de São Vicente na eminência de ficar sem nenhuma viatura operacional

"Os Bombeiros de São Vicente possuem quatro viaturas de combate a incêndio, das quais duas estão inoperacionais; têm três ambulâncias, mas apenas uma está a funcionar."

Os Bombeiros Municipais de São Vicente estão na eminência de ficar sem nenhuma viatura operacional. A denúncia foi feita ontem, em conferência de imprensa, pelo sindicato SIACSA, que realça que o parque automóvel dos bombeiros está quase toda avariada e as poucas viaturas ainda activas estão obsoletas e velhas. Esta situação, afirma o sindicalista Heidi Ganeto, motivou um pedido recente de destituição do actual comando dos bombeiros.

De acordo com o representante desse sindicato, a capacidade operacional dos Bombeiros de São Vicente é lamentável e os mindelenses precisam saber que a maioria das viaturas da corporação está inoperacional. “Os Bombeiros de São Vicente possuem quatro viaturas de combate a incêndio, das quais duas estão inoperacionais; têm três ambulâncias, mas apenas uma está a funcionar, mas padece de problemas mecânicos, colocando os operacionais em perigo e os demais utentes da via, visto que, ao desligar o motor, fica sem direcção e travagem eficaz. A viatura auto-escada está com mais de quatro anos parada”, enumerou o coordenador do Siacsa em São Vicente

O mais caricato, disse o sindicalista, é que as peças em falta para reparar as viaturas de combate a incêndio custam cerca de 70 contos. Já relativamente as três ambulâncias, uma delas precisa de um disco embreagem desde novembro 2022 e a outra acidentou há duas semanas e ainda não foram feitos demarches para a sua reparação. “Com uma única ambulância disponível e muitos pedidos de socorro, algumas solicitações de emergência têm sido negadas. Fica difícil dar resposta a todos o pedidos. E estamos na eminência de ficar sem nenhuma ambulância. “

Quanto à auto-escada, viatura importante para o salvamento em alturas, esta padece de problemas elétricos. Enquanto isso, pontua, as construções no município de São Vicente estão a ficar cada vez mais altas e, em caso de incêndio, o acesso sem este carro é impossível. “E é preciso dizer que estas viaturas dos bombeiros, cujo serviço é necessário fazer de forma segura, não são submetidas às inspeções da ITAC”, acusa Heidi Ganeto, lembrando que todas estas situações serviram de fundamento para um pedido de destituição do actual Comando dos Bombeiros no dia 13 de fevereiro.

Estas e outras situações levam o delegado sindical Milton Lima a afirmar que a corporação não reúne condições para responder as demandas diárias devido a falta de meios materiais e de recursos humanos, por falta de empenho. “Neste momento temos 10 bombeiros efectivos, divididos por quatro turnos. Dá uma média de dois bombeiros e meio. Continuamos a enfrentar as mesmas dificuldades que temos vindo a denunciar há muito tempo”, desabafa, realçando que, para além do parque automóvel praticamente inoperacional, os que estão activos encontram-se obsoletos.  

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Não obstante todos estes problemas, diz este bombeiro, o presidente da CMSV não aceita sentar à mesa com os profissionais para dialogar e tentar resolver os problemas. “Há mais de um ano que temos vindo a enviar notas ao edil, sem resposta. A situação dos bombeiros é gritante, por isso temos de mostrar aos mindelenses como os bombeiros estão a trabalhar, sem viaturas e, principalmente, sem ambulâncias.”

Enquanto isso, duas viaturas oferecidas pelo município de Oeiras em Portugal – uma ambulância e um carro de combate a incêndio – e que chegaram a São Vicente em setembro do ano passado, estão paradas na oficina da Câmara Municipal, “não se sabe a espera de quê”. Quanto ao acordo rubricado em dezembro do ano passado e que prevê, de entre outros, o pagamento das folgas, Heidi Ganeto explica que a CMSV começou a cumprir a sua parte, mas a contratação de mais efectivos e demais pendências são para serem resolvidas ao longo deste ano, tendo em conta o impasse na Câmara de São Vicente. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística.

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