O jovem alemão Kian H., de 19 anos à data dos factos, começou a ser julgado no Tribunal Regional de Trier, na Alemanha, acusado de matar o pai, de 58 anos, a companheira deste e a filha dela, de 21 anos, durante as férias de Natal de 2025 na ilha de São Vicente. No primeiro dia de audiência, o arguido falou sobre a sua vida, mas manteve silêncio sobre as acusações.
Segundo o jornal alemão Wochenspiegel Live, o julgamento de Kian H., suspeito de triplo homicídio durante uma estadia de férias com a família na localidade de Chã de Alecrim, cidade do Mindelo, arrancou ontem, quarta-feira, 21. Este informa ainda que o jovem compareceu perante o Tribunal Regional de Trier, onde ouviu a leitura da acusação, mas não se pronunciou sobre os crimes que lhe são imputados.
A notícia, assinada pelo jornalista Mario Zender, revela que o Ministério Público acusa Kian H. de ter matado o pai, de 58 anos, a companheira deste e a filha, de 21 anos, na madrugada de 23 de dezembro de 2025, poucos dias depois de a família ter chegado à ilha para passar as férias natalícias. A família terá viajado para São Vicente a 17 de dezembro de 2025, depois de o pai ter organizado a viagem e alugado uma cobertura de luxo em Mindelo. Seis dias depois, os três familiares foram encontrados mortos.
Na leitura da acusação, o procurador-chefe Eric Samel descreveu os acontecimentos que terão culminado na morte das três vítimas. Segundo o Ministério Público, o primeiro ataque terá ocorrido por volta das 4h00 de 23 de dezembro, quando o arguido terá atingido com uma faca a filha da companheira do pai, de 21 anos, enquanto esta dormia. A acusação sustenta que a jovem sofreu um ferimento fatal na artéria carótida, sem oportunidade de se defender.
Ao aperceberem-se do sucedido, sublinha, o pai e a companheira terão ido para o corredor, onde o homem foi alegadamente atacado pelo filho. De acordo com a versão apresentada pelo Ministério Público, seguiu-se uma luta violenta durante a qual Patric H. sofreu vários ferimentos provocados por uma faca. A mulher terá tentado esconder-se e, durante os acontecimentos, conseguiu enviar uma mensagem de pedido de ajuda a uma familiar na Alemanha.
O alerta chegou às autoridades alemãs, mas, segundo a acusação, o arguido terá encontrado a mulher e provocado a sua morte também com golpes de faca. Os três familiares morreram na sequência dos ataques, segundo o relato apresentado em tribunal.
A acusação descreve ainda o comportamento que Kian H. terá adotado depois dos alegados crimes. Disse o MP que, na sequência, o jovem arrumou os seus pertences, removeu vestígios de sangue do corpo, tratou ferimentos sofridos durante o confronto com o pai e descartou os objetos pertencentes à vítima. “Ainda no dia 23 de dezembro, o arguido terá apanhado um táxi para o aeroporto e viajado para Lisboa, num voo da Ryanair”, lê-se na reportagem.
Dois dias depois, a 25 de dezembro, prossegue, este foi detido pela polícia portuguesa num hotel em Lisboa, ao abrigo de um mandado de detenção europeu. E, no 14 de janeiro de 2026, foi extraditado para Alemanha, onde permanece em prisão preventiva no estabelecimento prisional de Wittlich.
O advogado de defesa, Harry Völker, indicou que o seu cliente poderá prestar declarações sobre os factos no decorrer do processo. Certo é que, até ao momento, continuam por esclarecer os motivos que terão conduzido à morte das três vítimas durante as férias em Cabo Verde, bem como os acontecimentos que antecederam os ataques.
O tribunal agendou seis sessões de julgamento até ao início de dezembro, estando a próxima sessão prevista para 4 de novembro.







