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Eleições Legislativas: Entre a Expectativa e a Responsabilidade Coletiva

Não basta preencher listas — é preciso garantir que quem lá está tem capacidade para transformar o país.

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*Denise Resende

É impossível ignorar o que se passa na preparação das listas para as próximas eleições legislativas. Basta uma rápida passagem pelas redes sociais ou pelos jornais da banca para perceber que o debate já começou — intenso, por vezes polarizado, mas profundamente revelador do momento político que vivemos.

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É certo que nem todos poderão integrar essas listas. A escolha é, por natureza, seletiva. Ainda assim, enquanto jovens, enquanto cidadãos, cabe-nos um papel fundamental: estar atentos, informados e verdadeiramente envolvidos. A democracia não se sustenta apenas no ato de votar; ela vive da participação ativa, da reflexão crítica e da capacidade de acreditar — não de forma cega, mas consciente nas opções que nos são apresentadas.

Exigir mérito, percurso e competência não é um excesso de exigência, é o mínimo que se pode pedir a quem se propõe representar um país. Precisamos de representantes capazes de elevar o nível do debate público, de trazer soluções concretas e de responder aos desafios reais que continuam a marcar a vida de muitos cabo-verdianos.

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A nossa geração tem, por isso, uma responsabilidade acrescida. Não basta observar à distância. É preciso acompanhar, questionar, exigir e, sobretudo, escolher com consciência o futuro que queremos construir. Cada decisão conta, e cada voto carrega consigo um compromisso com o país que desejamos.

Acredito que, por detrás de cada escolha nas listas, exista um esforço deliberado por parte dos líderes políticos em colmatar lacunas e responder às necessidades dos diferentes setores. Mas essa confiança não deve ser passiva, deve ser acompanhada por vigilância cívica e por uma exigência constante de coerência entre discurso e ação.

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Queremos, de forma genuína, acreditar num Cabo Verde para todos. Um país onde os acessos sejam verdadeiramente iguais, sem discriminação, onde a liberdade de expressão seja respeitada e protegida, onde a saúde chegue a todas as camadas da população; e onde a deslocação interilhas deixe de ser um obstáculo quase intransponível.

Queremos um país onde não se fazem inaugurações que, no dia seguinte, se transformam em portas fechadas. Um país onde as políticas públicas são pensadas para as pessoas e não apenas para o momento. E, acima de tudo, um país onde nenhuma criança tenha de crescer convivendo, na mesma rua, com o seu agressor — porque a proteção deve ser real, efetiva e inegociável.

Acreditar neste país também é exigir mais dele. E é precisamente essa exigência — consciente, responsável e comprometida — que deve orientar as nossas escolhas.

*Psicóloga, orientadora parental e especialista em proteção infantil, com intervenção em contextos comunitários e contributo em iniciativas de advocacy e políticas de proteção da criança em Cabo Verde.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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