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Descobri meu câncer de mama a tempo

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Betty A. Duarte

Hoje eu escrevo como mulher cabo-verdiana e como alguém que está em tratamento porque tive câncer na mama.

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Eu tive a grande chance de descobrir a tempo e sei que isso mudou tudo na minha vida, graças à minha irmã Luisa Marillac que insistiu comigo e à Dra. Julia Santos da minha ilha, de Ponta do Sol, em Santo Antão, que me acompanhou e não desvalorizou a situação.

Mas, mesmo assim, é angustiante estar a passar por tudo o que estou a passar porque sempre fui uma mulher cuidadosa no despiste da minha saúde. Sempre fiz exames, sempre estive atenta, sempre cuidei de mim e, mesmo assim, não fiquei livre dessa doença.

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A minha vida virou de cabeça para baixo ainda mais num momento tão doloroso em que eu tinha acabado de perder o meu pai. Foi um choque muito grande, físico e emocional.

Eu nunca desabafei publicamente sobre isso. Mas hoje sinto que preciso desabafar e também servir de exemplo de resistência para outras mulheres, porque muitas vezes ouvimos que é só um cisto, que não é nada preocupante, que é normal. Mas nem sempre é só um cisto, por isso deixo aqui um apelo a todas as mulheres cabo-verdianas de todas as idades, não ignorem os sinais do vosso corpo.

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Façam consultas de despiste, façam mamografias e ecografias, perguntem, insistam, peçam segunda opinião se sentirem que precisam, cistos na mama e miomas nos ovários muitas vezes são benignos mas precisam de acompanhamento sério e responsável.

A nossa saúde não pode ser tratada com descuido. Isso não é drama é prevenção, não é medo é amor-próprio. Hoje estou em tratamento e não é fácil, mas continuo de pé. 

Agora só peço a Deus que cuide de mim, me dê força, fé e coragem para vencer esta batalha, que a minha dor se transforme em alerta, que a minha luta se transforme em consciência e que a minha história seja sempre uma luz para outras mulheres, porque eu escolho transformar esta prova em propósito e esta caminhada em exemplo de fé e superação.

Obs: os médicos da ilha do SAL precisam ser mais atentos e não economizar na avaliação e nos exames, porque a nossa saúde merece cuidado completo e responsável.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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