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FIFA volta a ser acusada de práticas abusivas na venda de bilhetes para Mundial de Futebol 2026

Bilhetes mais baratos custam hoje mais de 3 mil euros, quando o preço médio inicial anunciado foi de 1.400

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A Euroconsumers e a Football Supporters Europe (FSE) apresentaram uma queixa formal à Comissão Europeia contra a Federação Internacional de Futebol (FIFA). Alegam que a entidade de futebol abusa da sua posição para impor preços excessivos dos bilhetes para o Mundial2026, revela notícia divulgada pelo jornal online português Sábado. 

O grupo de defesa dos consumidores e a rede que representa adeptos de futebol denunciam que os bilhetes mais baratos disponíveis custam hoje “a partir de 4.185 dólares” – “mais de sete vezes o preço do bilhete mais barato para a final do Mundial de 2022”. A FIFA anunciou “um preço médio de 1.408 dólares por bilhete”, valor que acabou por ser “largamente ultrapassado”, lê-se na notícia.

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“O futebol é uma paixão universal, mas a FIFA trata-o como um luxo privado, explorando o seu monopólio absoluto da venda de bilhetes para o Mundial. Ao impor preços pouco transparentes, práticas desleais para pressionar os compradores e taxas de revenda exorbitantes, a FIFA está a impor um encargo financeiro injusto a milhões de adeptos europeus”, detalha o diretor de Litígios da Euroconsumers, Marco Scialdone, em nota. 

O documento revela que, além dos preços supostamente excessivos, a Euroconsumers e a FSE identificaram ainda outros “abusos”, designadamente alegadas práticas de “publicidade enganosa”. Esclarece ainda que a FIFA anunciou bilhetes para a fase de grupos a 60 dólares, mas na prática “eram tão escassos que o stock da Categoria 4 esgotou antes do início da venda ao público em geral”.

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“Isto não só deixou os adeptos desapontados, como também constitui publicidade enganosa, uma vez que se anunciou um preço que não estava realmente disponível. Esta prática é ilegal ao abrigo da legislação da UE em matéria de defesa do consumidor”, reforça o comunicado, destacando ainda que foi ainda identificado um aumento de preços descontrolado sem aviso prévio. 

Segundo a Euroconsumers e a FSE, “os bilhetes subiram 25% entre as fases de venda”. “Os adeptos não tinham forma clara de saber o preço final antes de entrarem na fila,” constata. Segue-se ainda uma polémica com a localização dos lugares e até mesmo com as equipas que os adeptos pretendem ver jogar. Estes pressupostos não são “garantidos no momento da compra” e “em muitos casos, o direito a reembolso é limitado ou inexistente”. “Os adeptos estão a gastar milhares de dólares sem saber o que vão receber”, frisa, pontuando que a Fifa está a desencorajar as plataformas de revenda, considerando-as ‘inseguras'”. 

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A entidade está a “direcionar os adeptos para o seu próprio mercado, onde tanto o comprador como o vendedor pagam uma comissão de 15%, o que aumenta significativamente o custo total para os adeptos”. Só num “bilhete de 800 dólares, a FIFA ganha 240 dólares”, refere ainda o comunicado. A Euroconsumers e a FSE garantem ainda que a FIFA está a obrigar os adeptos a “tomarem decisões precipitadas”.

Apelam que a “Comissão Europeia intervenha com medidas provisórias para pôr fim a estas práticas de exploração antes do início do campeonato de 2026”, solicitou Marco Scialdone. Recomendam, por outro lado, que a FIFA congele os preços dos bilhetes na próxima fase de vendas, em abril, e divulgue pelo menos 48 horas antes quantos bilhetes restam para cada categoria e a localização dos lugares nos estádios.

A FIFA já tinha estado envolvida numa polémica envolvendo à venda de bilhetes a preços exorbitantes para este Mundial. Na sequência, foi anunciada uma quinta categoria cujos bilhetes custariam 60 dólares por jogo. O Mundial, refira-se, acontece entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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