O Presidente do Conselho de Administração da Enapor afirmou no encerramento das Jornadas Portuárias 2025 que saíram deste encontro com várias recomendações e projectos que a empresa pretende implementar ainda este ano. Ireneu Camacho aproveitou para prestar esclarecimentos sobre o projeto Monte Cara Atlantic Marina que, segundo o presidente da Associação de Armadores de Pesca, pode condicionar o desenvolvimento da Onave.
Para Camacho, os grandes projectos que sobressaem destas jornadas passam pela formação e capacitação dos colaboradores. Em termos de obras, destacou o projecto da Onave e a expansão do Porto Grande e do Porto Novo.
Relativamente à Onave, garantiu que um dos grandes beneficiários do projecto Monte Cara Atlantic Marina, apresentado nas jornadas por um investidor belga, é a APESC e os pescadores. “Temos de perceber que a economia nacional anda muito à volta do sector das pescas. O projecto Onave prevê um terminal específico para a pesca, um estaleiro com capacidade para fazer construção e reparação naval e expansão do Complexo de Pesca da Cova de Inglesa. Tudo isto mostra que o projecto tem muito a ver com a pesca,” declarou.
Este garante ainda que a Enapor está em concordância com todas as entidades envolvidas no projecto da Onave, inclusive a APESC. “Nós já nos reunimos com eles e tudo o que a APESC solicitou durante os encontros está incluído no projeto que nós temos neste momento. Brevemente será apresentado ao público para que possamos dar início a este grande projecto, que beneficia não só a economia da ilha, mas também, de uma forma directa, os pescadores”.
Entretanto, em declarações ao programa “O Outro Olhar” da RCV, o presidente da APESC mostrou-se contra a construção do projecto Monte Cara Atlantic nos estaleiros da Onave. Suzano Vicente alega que, da forma como este está concebido, a Apesc não consegue vislumbrar uma coabitação do ambiente de manutenção, reparação e construção naval com o de hotéis e marinas. E no estaleiro pode-se ter a necessidade de trabalhar à noite.
Segundo este dirigente associativo, o estaleiro naval da Onave “é de extrema importância para as actividades de construção naval, reparação e manutenção não só das embarcações de navios de pesca, mas também de navios de recreio e constitui um dos principais pilares que sustenta a actividade das pescas a nível nacional, que é um sector que está em forte crescimento”.
Disse ainda que o estaleiro reúne as condições técnicas e logísticas para tais actividades, pelo que é de extrema importância que estas estejam sob a supervisão directa e controlo dos armadores. Entende que a Apesc não tem a garantia do controle feito pelos armadores ao se construir marinas e hotéis no espaço. Por outro lado, afirma, o estaleiro naval da Onave oferece valências que o da Cabnave não tem, tal como a fibragem de botes.
Suzano argumenta que a APESC e os promotores do projeto discutiram várias vezes, mas não chegaram a acordo porque a associação não concorda com alguns aspectos. Referiu ainda que chegaram a apresentar dois projectos de remodelação do estaleiro naval da Onave à Enapor e nunca receberam feedback. “No entanto, agora a Enapor apresenta um projecto para o local sem levar em conta os dois apresentados pela Associação dos Armadores de Pesca”.
Em 2023, recorde-se, o Governo aprovou e anunciou um financiamento de 17 mil contos para a reabilitação da Onave. A decisão surgiu na sequência da visita do então ministro do Mar, Abraão Vicente, ao estaleiro de construção e reparação naval durante a qual este “pôde constatar o alto estado de degradação das estruturas”. Na altura o Governo, no dizer da APESC, que detém a concessão para gestão do espaço, a Onave precisava de uma “urgente intervenção e reparação dos equipamentos obsoletos, com mais de 40 anos ” o que vinha dificultando “os proveitos da sua exploração, colocando-os abaixo do seu ponto de equilíbrio financeiro”.
C/Inforpress