
O rap produzido em São Vicente é tema de um episódio de um podcast, com duração de 42 minutos, produzido por estudantes da Universidade Federal de Rondônia. Intitulado “Barras Maning Arretadas”, o programa narra as lutas por justiça social e igualdade de gênero do hip hop na ilha do Porto Grande.
O popcast, que já passou por várias cidades de países de língua oficial portuguesa em África, caso de Angola (Cabinda), Chimoio (Moçambique), Bissau (Guiné-Bissau), Guiné Equatorial e agora Mindelo (Cabo Verde), é narrado por estudantes daquela universidade. Foi apresentado no Brasil esta semana e pode ser ouvido através das plataformas Youtube e Spotify.
“O podcast tem o objetivo de mostrar como o rap é uma ferramenta capaz de narrar o contexto político e social de uma determinada localidade. A escolha por cidades africanas tem o objetivo de aprofundar a vasta diversidade cultural do continente e torná-las conhecidas e debatidas no Brasil”, detalha um comunicado de imprensa enviada a redação do Mindelinsite.
São entrevistados rappers como Eddy Fortes e Nitry, bem como o pesquisador Redy Wilson Lima. O grupo brasileiro Atitude Feminina, que já se apresentou no Mindelo, também foi entrevistado e mostrou-se particularmente satisfeito com a forma como foi acolhido e a sua interação com artistas locais.
Também são apresentadas músicas de artistas como Gol Wayne, Ravy Monteiro, Hip Hop Art, Nido e Fonte Felipe. O episódio conta com locução de Karen Cavalcante e Márcia Chaves, Juliana Garcez na edição, bem como Francisco Gabriel e Gabriel Moreira na produção.
A direção é de Carlos Guerra Júnior, professor da Universidade Federal de Rondônia e idealizador do projeto. O professor pesquisou o rap em países de língua oficial portuguesa em tese de doutorado, feita na Universidade de Coimbra, bem como já lecionou na Universidade de Santiago, em Cabo Verde.
O rap, refira-se, surgiu em Mindelo na década de 1990, com o aparecimento de grupos que passaram a sua contribuição no cenário cultural da ilha, em plena vaga dos protestos cabo-verdianos, como espaço de resistência e de denúncia. Na altura, proporcionou aos jovens a possibilidade de reformularem as suas críticas, na medida em que se encontravam num ponto de desilusão.