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Movimento e leveza na arte do artesão mindelense Carlos Gomes

O movimento e a leveza das estatuetas confeccionadas por Carlos Gomes são os maiores atrativos do trabalho deste artesão mindelense, que usa a sua arte para reproduzir algumas facetas da tradição crioula, designadamente o batuque, o kolá san jon e, mais recentemente, os mandingas de São Vicente. Trata-se de um trabalho minucioso que, por vezes, cativa pela beleza e parece ganhar vida e vitalidade.    

“Uso fibras vegetais para fazer o meu trabalho, nomeadamente folhas de bananeira, palha de milho e outros. Moldo estatuetas com cerca de 20 a 25 centímetros com fios eléctricos e depois ganham forma com linhas de saco de larau (sarapilheira) ”, explica este artesão em entrevista ao Mindelinsite.

Carlos Gomes conta que começou a trabalhar em artesanato há muito tempo, mais precisamente há cerca de 30 anos. Inicialmente fazia quadros, mais precisamente molduras. Mas, como sempre gostou de desenhar, começou a reproduzi-los em estatuetas. Para isso escolheu materiais maleáveis, como fios eléctricos e folhas de bananeira e de milho.

Reproduzia cenas do quotidiano: mulheres no pilão e diversas formas de dança, com ênfase para as tradicionais. “Sou natural de São Vicente e levei a nossa paixão pelos mandingas para o trabalho. Inspiro-me e tento reproduzir a endumentária e os seus movimentos nas minhas estatuetas”, frisa.

Apesar de residir actualmente na cidade da Praia, Carlos Gomes garante que o seu trabalho pode ser encontrado em várias lojas e pontos turísticos do país. Admite, no entanto, que este é comprado principalmente por estrangeiros. “Os estrangeiros que visitam o país são os maiores compradores do meu trabalho. Compram nas lojas e pontos de vendas. Mas também recebo pedidos directos de amigos e conhecidos e através das redes sociais”, acrescenta.

Por ser detalhistas, já participou de poucas exposições. O primeiro foi há cerca de cinco anos no Centro Cultural do Mindelo. Também já exibiu o seu trabalho em algumas feiras em mostras colectivas. Esteve igualmente presente em duas mostras internacionais, uma Lanzarote (2017) e outro no Tenerife (2018), a convite da embaixada de Espanha em Cabo Verde.

Hoje este artesão diz orgulhar-se de viver da sua arte. Também se tornou polivalente. “Acabo por ser ferreiro, pedreiro e costureiro. Faço os moldes das esculturas, forro com linha de saco e depois faço as as suas roubas. São muitos detalhes. Fui aprimorando com a prática. É um mundo que transformou a minha vivência. Vivo daquilo que consigo produzir e vender.”

Constânça de Pina

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