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Mindelenses atónicos com possibilidade de haver “Carnaval Virtual” a partir de Pont d’Agua

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Os mindelenses estão atónicos e revoltados com a pretensão de se realizar um  evento virtual no restaurante panorâmico Pont d’Agua para não se deixar o dia do Carnaval passar em branco. As reacções partiram de uma publicação de Rocca Vera-Cruz, que já provocou mais de duas centenas de comentários, pedidos de intervenção das autoridades e, em último caso, uma invasão do espaço. A Liga dos Grupos Independentes do Carnaval de S. Vicente diz não ter nada a ver com o evento, enquanto os grupos carnavalescos confirmam que foram convidados para uma reunião para se definir os moldes do evento. 

Na sua publicação, Rocca Vera-Cruz diz que o show deverá contar com 180 figurantes – 30 por cada um dos seis grupos oficiais existentes em S. Vicente -, 30 mandingas, 50 bateristas, 10 músicos, direcções dos grupos, convidados e amigos. Incrédulo, este desafia as direcções dos grémios mindelenses a não se alinharem com as pretensões da organização. “A minha esperança é que os directores dos grupos todos tenham juízo para não alinharem. Dois deles já sei que não. Aguardo para saber dos outros. E também a posição das autoridades…”, escreve. 

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E as reacções a esta publicação, que já conta com 13 partilhas, não se fizeram esperar, sendo o primeiro do presidente do Sokols 2017, Salvador Mascarenhas. Este garante que o Delegado de Saúde de São Vicente é completamente contra e pede que não haja nenhuma autorização superior. Todos os demais comentários seguem a mesma linha, com alguns a apelidarem os organizadores do evento de “anormais”, “palhaços” e outros a defender uma resposta mais enérgica. “Vamos fazer uma revolução”, diz Carmelinda do Rosário. Carla Barros, assumidamente uma amante do Carnaval, desafia as pessoas a invadirem Ponte d’Água, caso se concretizar com “esta palhaçada”. 

Liga do Carnaval “out”

Abordado por Mindelinsite, Marco Bento, presidente da Liga Independente do Carnaval, afirma desconhecer qualquer iniciativa neste sentido e, diz, mesmo que haja, seria uma decisão da CMSV e não da Liga. “A Ligoc responde apenas pela organização do desfile oficial do Carnaval, não por uma festa ou outro. Penso que, a acontecer, será uma iniciativa dos grupos de Carnaval e/ou da Câmara Municipal”, declara. Este reconhece, no entanto, que já viu algumas publicações no Facebook e em outros espaços, mas garante que a Liga está completamente “out” deste evento.

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Marco Bento admite que tem havido alguma iniciativas privadas nas redes sociais, caso do último fim-de-semana em que a CV Sonho realizou uma live com pessoas afectas ao Carnaval, batucada e figurantes.

Já o presidente do grupo Monte Sossego desvaloriza as informações divulgadas nas redes sociais. Segundo António “Patcha” Duarte, o único dado que tem até agora é que se pretende fazer uma pequena apresentação. “Não será nenhum baile de carnaval ou outro. Apenas uma apresentação do Carnaval de São Vicente com um mínimo de pessoas possíveis, apenas para não deixar a data passar em branco. Infelizmente não posso adiantar muita coisa porque ainda não nos reunimos para uma decisão final”, indica.

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Também a presidente do Flores do Mindelo confirma ter sido abordada para participar de um evento online, mas diz que o grupo ainda não deu nenhuma resposta. “Ficaram de nos convocar para uma reunião para definir em que moldes seria, o que ainda não aconteceu”, diz Ana Soares. 

Do lado do Vindos do Oriente, a resposta ao convite para se analisar a possibilidade de participação no evento foi negativa. Josina Freitas garante que sequer se inteiraram dos detalhes. “Como não estávamos interessados, não nos preocupamos em saber nenhuma informação sobre o evento”.

Foi impossível falar com os responsáveis dos restantes grupos – Cruzeiros do Norte, Samba Tropical e Mandingas -, com a Câmara Municipal de São Vicente e nem com o Delegado de Saúde da ilha sobre os eventuais impactos que esse acontecimento poderia ter neste contexto de pandemia em S. Vicente.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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