
O escritor e jornalista Eduino Santos lançou no Centro Cultural do Mindelo, em São Vicente, o romance “Noca, meu amor – Entre Mindelo, Guileje e Lisboa”, uma obra que cruza ficção, memória familiar e investigação documental para abordar a guerra, a emigração, a identidade e o perdão.
O romance acompanha a história de três amigos cabo-verdianos cujos percursos são marcados pela guerra, pela emigração e pela separação, retratando as transformações históricas e sociais de Cabo Verde e os seus efeitos na vida das famílias. Tem como figura central Noca, avó do autor, que morreu quando a mãe de Eduino Santos tinha apenas sete anos.
Apesar de nunca a ter conhecido, o escritor encontrou na sua história a motivação para reconstruir memórias familiares e dar visibilidade às mulheres cujas vidas raramente aparecem nos registos históricos. “Noca é a minha avó. Eu nunca a conheci”, afirmou, explicando que a escrita do livro também o ajudou a compreender a história da sua família e a relação da mãe com o pai.
O autor destacou ainda a importância do perdão na narrativa. “Nada disto transforma o abandono numa coisa correta. Nada disto apaga a dor. Mas compreender é diferente de absolver”, declarou. A investigação documental constitui uma componente importante do romance, que aborda também a realidade das crianças nascidas fora do casamento e as desigualdades sociais que marcaram várias gerações cabo-verdianas, acrescentou Eduino Santos.
Na apresentação, o escritor Filinto Elísio destacou a articulação entre o jornalismo e a literatura na construção da obra, sublinhando a presença da investigação, da memória e da procura das origens familiares.
Jornalista e diretor do jornal online Notícias do Norte, Eduino Santos foi fundador do jornal Notícias, em 1987, e trabalhou na RTC, tendo também colaborado com os jornais Expresso das Ilhas e A Nação.
Com este romance, o autor presta homenagem à avó e às mulheres cabo-verdianas que sustentaram famílias e gerações, muitas vezes sem reconhecimento, explorando a memória como caminho para compreender o passado e interromper a transmissão do ressentimento entre gerações.






