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Djodje e Calema levam Baía ao rubro com shows reduzidos devido ao atraso no arranque do terceiro dia de festival 

Djodje e os Calema foram os protagonista do terceiro e último dia da 38ª edição do Festival da Baía das Gatas, mesmo reduzindo os seus espetáculos por conta do atraso registado no arranque. Inicialmente previsto para iniciar às 17h30, os artistas só começaram a subir ao palco às 20h30, arrastando com isso as actuações para manhã a dentro desta segunda-feira. Mas o público, que uma vez mais lotou o areal, não arredou o pé e apoiou com entusiasmo todos os artistas, ainda que de forma mais contundente estes artistas que vieram de fora para dar outro brilho ao festival. 

O balanço geral do meu show é positivo. É sempre um grande prazer actuar na Baía das Gatas. A última vez que estive aqui foi em 2017, portanto há cinco anos. Senti o público comigo, apesar do cansaço, pois estamos no terceiro dia e, ainda por cima, cantei às cinco da manhã. Mas o público aderiu e esteve presente. Tiraram os pés do chão, cantaram, dançaram. Aliás, cantaram até mais do que eu”, declarou Djodje, que fez questão de agradecer o apoio e a energia do público e da Baía. 

Público

O artista admitiu que teve de reduzir, ainda que ligeiramente, o seu espetáculo por causa do atraso. “De facto, tivemos de cortar um bocadinho do tempo para que a banda que vinha a seguir não entrasse muito mais tarde. Tiramos dois temas do nosso repertório por forma a fazer um espetáculo mais curto, como disse, em respeito ao Morgan Heritage, tentando minimizar o seu atraso. É a diplomacia artística”. 

Lançamentos avulsos e concerto no Olympia

Quando a futuros projectos, este disse estar em uma fase que apelidou de “Catchupa Session”, que consiste em fazer uma série de lançamentos musicais nos próximos seis meses, citando como exemplo “Para de Mentir” e “Paké”. Paralelamente, vai continuar a fazer concertos, incluindo um no Olympia de Paris em Setembro. Este negou, entretanto, que o tema “Para de Mentir” seja uma resposta. “É apenas uma coincidência. Não é de forma nenhuma uma resposta. Aliás, as pessoas envolvidas sabem disso e não fazia sequer sentido ser uma resposta”, enfatizou.

Calema – Fradique e António Mendes

Já os Calema, após uma incursão pelos seus maiores sucessos com grande apoio dos fãs, tiveram de sair a correr do palco para o aeroporto. Numa curta declaração à imprensa mostraram-se satisfeitos com este regresso à Baía. “Significou para nós estar em casa e com o nosso povo. Estar com pessoas que acreditam em nós e que nos apoiam desde o início. E todas as vezes – esta é a terceira em SV – a sensação é a mesma, de casa, de um lugar especial. O show foi top”, declarou Fradique Mendes.

Mais especifico, António Mendes deixou claro que adoram Cabo Verde. Aliás, lembrou que os seus avós eram de Assomada. “Cabo Verde sempre cresceu dentro de nós. Aqui, sentimo-nos em casa e muito bem recebidos. Um grande obrigado a todos que estiveram aqui e em casa a nos assistir”, reforçou. 

Música Jovem

O terceiro e último dia do festival, normalmente dedicado aos jovens, teve muito hip hop com os estreantes Edwin Vibez, Giiio E Mister High, que se mostraram maravilhados com a recepção do público e com a oportunidade, prosseguiu com Kiddye Bonz e Mark Delman. Tiago Silva, Hilar e Dieg aproveitaram para tocar novas músicas e possíveis projectos conjuntos. Silva aproveitou para lançar o seu novo trabalho e mostrava-se feliz com a aceitação. “Baía é um palco que projecta os artista e todos querem estar aqui. Esta foi uma oportunidade de galgar uma outra dimensão e abrir portas”, indicou. 

Hilar destacou o projecto conjunto do trio  Tiago, Hilar e Diego -, amigos de infância e que gostam das mesmas coisas – , apesar de não terem as mesmas sonoridades. “Fomos fortes, bonitos e verdadeiros. Quem sabe, no futuro, possamos juntar-nos e transformar esta ideia em um projecto para lançamento. Hoje trouxemos aqui trabalhos individuais, mas dividimos o tempo e não podia ter sido melhor”. 

Irreverente, Dieg entrou no palco montado numa moto. “Muitas vezes limitamos a nossa criatividade a pensar no orçamento. Mas hoje fiz questão de mostrar aos jovens que a criatividade está sempre em primeiro lugar. Este é um cenário para algo que pretendo lançar. Então aproveitei para dar um spoiler. Por isso também a minha entrega em cima do palco. Estava a realizar um sonho.”

Batchart – Resiliente

Para Batchart, o seu show foi electrizante porque trouxe e recebeu de volta a energia do público. “As pessoas sentiram o meu espetáculo do início ao fim. Saio daqui desgastado fisicamente, mas contente porque o público correspondeu. Preparei o show com base no meu segundo álbum ‘ Resilient’, que curiosamente coincide com o lema do festival, que foi em homenagem a este povo resiliente. Espero ter despertado nas pessoas a curiosidade para conhecerem e consumirem o meu trabalho.” 

Último, mas não menos importante, os Morgan Heritage, que se ofereceram para trazer o reggae da Jamaica para Baía das Gatas, iniciou ali a gravação de um videoclip, que vai prosseguir com a captação de imagens em São Vicente até a próxima terça-feira, fechou a noite com chave de ouro. É caso para dizer que, nestes três dias, todos os ritmos musicais passaram pela Baia das Gatas.

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