Dina Salústio participa em conversa sobre literatura africana e afrodescendente no feminino em Coimbra

A escritora cabo-verdiana Dina Salústio, Gisela Casimiro, da Guiné Bissau e Raquel Lima, ligada a Angola e a São Tomé e Principe, participam esta quarta-feira, 21, numa conversa literária em Coimbra, Portugal, dedicada à literatura africana e afrodescendente no feminino, integrada na programação da terceira edição da Bienal Afro-Portugal, que decorre sob o manifesto “Afro-Quê?!”.
As escritoras vão promover uma reflexão conjunta sobre as suas obras, percursos literários, identidades e experiências enquanto mulheres na literatura. A conversa está prevista para as 18h30, na Casa da Escrita, e integra uma programação que questiona estereótipos, refletir sobre o passado colonial e colocar as experiências e as vozes negras no centro do debate contemporâneo.
A participação de Dina Salústio no evento epresenta uma oportunidade para dar visibilidade à literatura cabo-verdiana num espaço de intercâmbio entre autoras africanas e afrodescendentes, promovendo o diálogo sobre as identidades, a memória e as diferentes formas de representação das mulheres na escrita. “Vamos falar das escritas que nos abraçam“, diz esta escritora cabo-verdiana.
Identidade, memória e descolonização
A terceira edição da Bienal Afro-Portugal decorre desde o dia 10 até 30 de outubro, sob o lema “Afro-Quê?!”, e cruza artes visuais, teatro, música, literatura e pensamento crítico. Segundo a organização, esta edição questiona as categorias e os rótulos associados à experiência negra contemporânea, através da pergunta: “Afinal, quem fala, de quem se fala, para quem se fala?”.
Depois de em 2022 e 2024 terem abordado o passado colonial e os mundos em movimento, a bienal de 2026 propõe uma reflexão sobre as heranças coloniais, a decolonialidade, a ancestralidade e as perspetivas de futuro.
A programação inclui debates sobre racismo, decolonialidade e reparação histórica, além das Jornadas de Feminismos Africanos, que dão destaque ao papel das mulheres nas reflexões sobre a sociedade e a cultura. Entre as novidades desta edição está a realização, pela primeira vez, de uma residência artística destinada a dois jovens afrodescendentes com menos de 35 anos, no âmbito da exposição “O Nosso Lugar no Agora”, patente na Casa da Esquina até dia 30, com obras de oito jovens artistas visuais.
A iniciativa resulta da colaboração entre o Teatro Académico de Gil Vicente, A Escola da Noite, Cena Lusófona e Casa da Esquina, contando com o apoio de várias instituições culturais, académicas e associativas.
Além da conversa literária de hoje, o programa integra concertos, performances, peças de teatro, exibições de filmes e uma mostra de poesia visual africana, reforçando Coimbra como espaço de encontro entre diferentes expressões artísticas e perspetivas sobre as identidades africanas e afrodescendentes.






