Cultura

Filme “Cesária Évora” nomeado para prémios da Associação Internacional do Documentário 

O filme “Cesária Évora”, sobre a ‘diva dos pés descalços’ produzido por Ana Sofia, está nomeado para os prêmios da Associação Internacional do Documentário (IDA signa em inglês). Os vencedores desta que é a da 38.ª edição dos prémios da IDA serão anunciados no próximo mês de Dezembro em Los Angeles, Estados Unidos, de acordo com informações avançadas pela agência Lusa e partilhadas por diferentes jornais de Portugal e Cabo Verde.

“Cesária Évora”, segundo informações do site do IDA, concorre na categoria Melhor Documentário de Música com “Louis Armstrong’s Black & Blues” de Sacha Jenkins; Moonage Daydream de Brett Morgen; Nothing Compares de Kathryn Ferguson, os três dos Estados Unidos e You’re Watching Video Music Box de Nasir ‘Nas’ Jones, uma co-produção entre o Reino Unido e a Irlanda. 

O filme, que conta a história desta cantora cabo-verdiana, estreou em março no festival South by Southwest, em Austin, nos Estados Unidos, e recebeu, em maio, o prémio do público do IndieLisboa para longa-metragem. É assinado pela Carrossel Produções, em associação com a Até ao Fim do Mundo, e estreou-se nos cinemas portugueses em 27 de outubro. Foi realizado em Portugal, França e Cabo Verde, tem distribuição mundial pela Cinephil/WestEnd Films.

Um dos aspectos inéditos que o filme mostra é o impacto da doença bipolar na vida de Cesária Évora. Mostra ainda como esta mulher negra e pobre deu a volta ao destino. Conta com imagens de arquivo, gravações inéditas e testemunhos de quem privou com Cize, como era conhecida, dos tempos da pobreza ao reconhecimento mundial que chegou depois dos 50 anos e após uma “explosão” de sucesso que começou em França e a levou a dar a volta ao mundo.

Ana Sofia Fonseca conta que decidiu fazer um documentário sobre a vida de Cesária Évora dias depois do funeral da cantora, quando se deparou com a tristeza e a solidão que enchia o olhar das pessoas no ‘seu’ Mindelo, São Vicente, lê-se na reportagem. Apaixonada por Cabo Verde, a jornalista e contadora de histórias lembrou à Lusa aquando da estreia do filme nas salas portuguesas de cinema, que Cize “tinha colada à pele um conjunto de preconceitos: mulher, negra, pobre, não é particularmente bonita, vive em África e tem mais de 50 anos quando alcança o sucesso”.

Apesar disso, diz, Cesária vence e, principalmente, “constrói pontes” e “traz Cabo Verde do meio do Atlântico para o mundo”. A realizadora, que tem casa no Mindelo, partilhou que “toda a gente em São Vicente tem uma história da Cesária Évora para contar”. 

Apaixonada pela voz de Cize, debruçou-se essencialmente na pessoa, “uma mulher excecional” que “não se deslumbra com a fama, usa a fama para ajudar os outros”. “Também a si, mas contentava-se com o que tendemos a achar pouca coisa e a julgar como adquirido”, disse, acrescentando que Cesária Évora era “feliz tendo uma casa onde albergar a família, um carro para andar, porque tem problemas nos pés, comida e comida para dar aos outros”.

E sublinhou: “É preciso conhecer a mulher para perceber melhor a voz, que nos emociona, arrepia, tanto nos faz acreditar no amor como chorar. Eu quis ir além daquela ideia do veio do nada, conquistou o mundo, manteve-se igual a si própria e era feliz a ajudar os outros. Tudo isso é verdade, mas há muito mais do que isso”.

Na história de vida de Cesária Évora, a realizadora encontrou “uma mensagem de esperança”“Não importa muito de onde se vem, mas o que se pode alcançar. Tudo é possível, a vida de qualquer um pode mudar a qualquer instante” -, mas também de uma enorme generosidade – “Na mesa da Cesária havia sempre espaço para todos e ninguém era mais que ninguém”.

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