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UCID reforça apelo ao recenseamento e alerta para provável perda de representatividade de SV no Parlamento

A UCID reforçou hoje, em conferência de imprensa, o apelo ao recenseamento eleitoral, tendo em vista as Legislativas de 17 de maio, lembrando que, nos termos da lei, o recenseamento eleitoral decorre apenas até ao sexagésimo quinto dia anterior às eleições, ou seja, até o dia 13 de março. A preocupação deve-se com a pouca a adesão dos jovens, mas também pela perda de representatividade de São Vicente e pela diminuição do seu peso político. 

De acordo com o presidente regional da UCID, o partido está particularmente preocupado com a fraca adesão dos jovens que completam 18 anos até esta data, vem reforçar o apelo para estarem prontos a votar e poder, assim, eleger os seus representantes no parlamento cabo-verdiano. “O primeiro ato de cidadania não é votar, mas sim recensear-se”, afirma Anilton “Mentor” Andrade. 

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Adverte este político que o que está em causa não é apenas um procedimento administrativo, mas a representatividade no Parlamento “Está em causa o peso político da nossa ilha na Assembleia Nacional. O número de deputados eleitos por cada círculo depende do número de eleitores inscritos”, constata, indicando que, devido a fraca adesão ao recenseamento, a ilha pode perder representação. 

E perder deputados significa perder força, perder capacidade de reivindicação, perder influência nas decisões nacionais que afetam diretamente a vida dos cidadãos, com os falhanços dos sucessivos governos, reforça, justificando este afastamento com o desencanto dos jovens com os dois partidos que têm governando Cabo Verde, nestes 50 anos de independência, e 35 de democracia.

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“A UCID entende os jovens, que se sentem desacreditados pelas inúmeras promessas não cumpridas, que não se sentem representados, pois as maiorias absolutas dos sucessivos governos não escutam os seus anseios, roubam os seus sonhos, não proporcionam mudanças, justiça social, desenvolvimento inclusivo e nem transformação nas suas vidas,” sublinhou. 

Garante que a UCID compreende todas estas razões, mas alerta que só através do recenseamento será possível romper com o bipartidarismo dominante no país, que não pode sair de uma maioria de um partido que já governou 20 anos para outro que já governou 30 anos, com maiorias absolutas. 

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Seria sair de oito para oitenta. Cada jovem que deixa de se recensear está, ainda que involuntariamente, a enfraquecer o processo democrático. Recensear não é apenas um direito legal: é um compromisso com o futuro”, assegurou, indicado que o seu partido sempre esteve e continuará a estar aberto à energia, à consciência crítica e à ambição da juventude, que se quer ativa, consciente e protagonista do seu futuro.

Em suma, diz, não se pode continuar a assistir a níveis baixos de mobilização cívica, aceitar que jovens informados, ativos nas redes sociais, atentos ao que se passa no mundo, fiquem ausentes no momento mais básico da democracia: inscrever-se para votar. “É tempo de mobilização. É tempo de responsabilidade. Mas, acima de tudo, é tempo de equilíbrio no parlamento para governar diferente. E só se consegue contribuir quem estiver recenseado,” acrescentou. 

Em suma, no dia 17 de maio vai-se decidir o rumo do país. Até 13 de março, no entanto, decide-se quem terá o direito de participar nesta escolha. E não se deve deixar a indiferença decidir o destino de Cabo Verde. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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