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Presidenciais: JMN inaugura campanha em SV e promete ser um presidente com “casa” na ilha

José Maria Neves realizou na noite de ontem o seu primeiro acto de campanha eleitoral para as presidenciais de 17 de outubro em São Vicente, ilha que considera talismã. Trata-se, como fez questão de frisar, de uma candidatura voltada para o futuro, para a busca de soluções para os grandes desafios que Cabo Verde tem pela frente no pós- pandemia. Concretamente no que tange a ilha do Porto Grande, uma das suas primeiras medidas será devolver o Palácio do Povo à Presidência para receber autoridades e estar com as pessoas, cumprindo o desiderato de ser um presidente presente. JMN promete uma campanha alegre, elevada, de debate de ideias positivas, respeitando todas as regras de prevenção.

Em declarações à imprensa logo após a sua apresentação no auditório Onésimo Silveira que se apresentava bem composto, depois de um dia intenso de contactos com personalidades e instituições da ilha, JMN disse se sentir bem acolhido na ilha. Aliás, aproveitou para prestar uma homenagem ao “embaixador rebelde”, Onésimo Silveira, que, frisou, muito se bateu pela democracia e pela descentralização do poder. “São Vicente, para além de receber bem, emana novas luzes que precisamos para estes tempos difíceis e complexos. A pandemia está a pôr-nos a prova. Para um pequeno estado insular como Cabo Verde, os impactos económicos, emocionais e sociais são devastadores”, afirmou.  

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Por isso, neste novo momento da República, JMN entende que estas eleições presidenciais são cruciais para o Cabo Verde do futuro. “Definitivamente, temos de encontrar os equilíbrios necessários para que todas as instituições possam funcionar e para que haja a estabilidade política e institucional. Mas, sobretudo, para que haja suficiente discussão e diálogo entre as principais forças políticas, de modo a conseguirmos os consensos, os acordos e os entendimentos necessários para a reconstrução do país no pós pandemia. Esta eleição é crucial para o futuro da República”, reforçou.

Devolver o Palácio do Povo

Questionado sobre as suas prioridades para São Vicente, este garantiu que uma das suas primeiras medidas, se eleito, é devolver o Palácio do Povo à Presidência para estar mais presente na ilha. Mas, para isso, primeiro terá de encontrar um novo lugar digno para albergar o museu actualmente a funcionar no espaço. “Temos de ter um gabinete funcional do Presidente da República na ilha para que este possa estar presente. Acho que uma vez por mês, durante uma semana, o PR deve estar aqui para receber as autoridades locais, nacionais e estrangeiras, para analisar com a sociedade civil os principais problemas da ilha, para poder expressar consensos e buscar os entendimentos que são necessários.”

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Paralelamente, defende JMN que S. Vicente deve ser também ser palco das reuniões do Conselho da República e do Conselho Superior da Defesa Nacional. Igualmente o PR deve receber as cartas credenciais na ilha. “São símbolos importantes da desconcentração do poder e para que esteja mais presente nas diferentes ilhas, sobretudo neste momento em que precisamos de um novo pacto, de um novo equilíbrio do poder. Precisamos transferir mais poderes e recursos às ilhas. É importante que os partidos políticos, o Governo e o Parlamento cheguem a entendimento sobre estas matérias.”

Conhecer o jogo democrático

Confrontado com a questão do poder do PR em Cabo Verde, JMN alega que, nestes tempos de pandemia da Covid-19, o Chefe de Estado também deve liderar o país e contribuir para novas soluções. “O PR não pode limitar-se a proclamar a Constituição como o seu Caderno de Encargos. Tem de ter uma perspectiva, neste sec. XXI e nos termos da CR, muito mais ampla do exercício da presidência. É arbitro do jogo político entre o Governo e a oposição, entre o Governo e o Parlamento, entre o Estado e as Autarquias Locais, entre o Estado e a Sociedade. Quem pretende ser PR tem de ser um conhecedor profundo das regras do jogo democrático para poder fazer a arbitragem com equilíbrio, com a ponderação necessária para que todos se sintam incluídos no jogo político em curso”, detalha.

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Enquanto árbitro, frisa, pode chamar atenção, apresentar o cartão vermelho, o cartão amarelo, aconselhar, sugerir. Mas, no quadro da CR, tem um papel importante, como o 1º Magistrado da Nação e, através da magistratura de influência, tem um campo enorme de trabalho. “É este campo de trabalho que constitui o principal caderno de encargos do presidente. Se eleito, estarei a trabalhar, através da magistratura de influência, para responder aos principais desafios de CV. O Presidente da República não governa, não é oposição, mas também não é porta-voz do Governo. Temos muitas áreas de trabalho onde o presidente pode ter um papel fundamental”, acrescenta.

Nacionalização da ex-TACV

Instado a comentar as recentes declarações do Primeiro-ministro que anunciou ao país a intensão de nacionalizar a ex-TACV, ou melhor, a Cabo Verde Airlines, JMN diz não ter todos os dados sobre esta questão. “É preciso ver todas as dimensões do problema para que possamos fazer os comentários necessários sobre esta matéria. De todo modo, se a empresa não está a responder aos desafios e o Governo considera ser importante a nacionalização, é preciso que se explicite as propostas e garanta que ao renacionalizar a empresa, ela cumpra a sua missão, que é contribuir para o desenvolvimento global de Cabo Verde”, adverte o antigo presidente do PAICV e Primeiro-ministro do país.

Este primeiro acto da candidatura no Mindelo contou com a presença de Germano Almeida (mandatário nacional), Maria João Novais, (mandatária nacional-adjunta e mandatária nacional para as mulheres), João Branco (mandatário por SV), Tierry Monteiro (mandatário para a juventude), João do Rosário (director da campanha em SV), o presidente da Comissão Política Regional, o Magnifico Reitor e convidados, de entre muitos outros convidados.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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