Nova Pediatria do HBS entra em funcionamento: Triplo da capacidade e mais conforto, mas com os mesmos profissionais “exaustos” e “improdutivos”

A nova pediatria do Hospital Baptista de Sousa entrou hoje em funcionamento, após um processo de mudança para o novo edifício materno-infantil que iniciou no dia 05 e foi concluído ontem, informou o presidente do Conselho de Administração desta instituição. Vitor Costa destacou o nível do serviço equiparado a hospitais de qualquer parte do mundo, o aumento da capacidade, melhores condições logísticas e salas de procedimento, mas com os mesmos profissionais que, há seis meses, denunciaram “exaustão” e “improdutividade”.
Em declarações à imprensa, o PCA explicou que o edifício é composto por várias valências: serviço de obstetrícia, ginecologia, pediatria e neonatologia, capaz de ombrear com hospitais dos países desenvolvidos. Contém salas de internamento e de procedimentos, espaços para consultas de pediatria, neonatologia e gineco-obstetrícia, bloco operatório com condições para realizar qualquer tipo de cirurgia com segurança. “O edifício possui condições técnicas e equipamentos que possibilita e facilita prestar melhor qualidade para o diagnóstico e para o tratamento das nossas crianças e das nossas mulheres.”

No caso concreto da Pediatria, segundo Victor Costa, o número de leitos passou de 31 para 39, além de possuir condições de isolamento, para cuidados intensivos e procedimentos, e ainda condições para a instalação dos profissionais. “Consideramos essa passagem para o novo edifício não apenas um ato simbólico. Irá traduzir-se na melhoria da prestação de cuidados em termos de convivência dos nossos profissionais de saúde porque as instalações são melhores, oferecem mais conforto e melhores equipamentos, mas também para os utentes porque prestaremos os serviços que requerem.”

Victor Costa afirma que o novo edifício implica novos desafios, nomeadamente com a manutenção pelo que, defende, é responsabilidade de todos o manter em boas condições de segurança para os utentes e para o trabalho dos profissionais. Lembrou que, para concretizar esta passagem, tiveram de fazer a limpeza, higienização, preparação do pessoal, conectividade de informática e condições dos gases medicinais. “Queremos pedir em primeiro lugar aos nossos funcionários porque as novas instalações vão exigir de nós cada vez mais em termos de melhoria de humanização, mas também do próprio serviço.”

Questionado se houve um reforço do número de profissionais, tendo em conta as recentes reivindicações dos pediatras do HBS, que alegam serem obrigados a fazer 24 horas de urgência, a cada quatro dias, para “tapar o buraco”, o PCA admite que mantém o mesmo número de profissionais. “Viemos para cá com 11 médicos, 23 enfermeiros, ajudantes de serviços gerais e administrativos. Mas estamos a fazer esforços, junto com o Ministério da Saúde, para melhorar a nossa capacidade de resposta porque não estamos satisfeitos em termos de recursos humanos”, frisou, reconhecendo que o número atual de profissionais é insuficiente para responder a demanda que o serviço exige, mas garante a prestação de serviço.

Manutenção é outra área que mereceu a atenção deste responsável. Segundo Victor Costa, a pediatria precisa de técnicos qualificados para manter o nível de qualidade dos equipamentos, que são complexos e exigem supervisão contínua. De referir que esta nova pediatria presta atendimento para crianças até aos 12 anos, sendo que dispõe de duas alas, uma infantil e outra para adolescentes.
O PCA perspectivou, em jeito de remate, a entrada em funcionamento da Maternidade em breve, recusou, no entanto, avançar qualquer explicação porque a passagem aconteceu só agora, seis meses após a inauguração do novo edifício pelo Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, com pompa e circunstância. “Agradeço pela questão, mas eu não estou em condições de responder“, respondeu.






