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Dia Mundial dos Oceanos: Paulo Veiga insta mindelenses a viverem do e com o mar

O Secretário de Estado e da Economia Marítima instou hoje os mindelenses a viverem mais de e com o mar. Paulo Veiga, que presidiu a abertura das actividades que assinalam o Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra a 08 de Junho, na Lajinha, lembrou que Cabo Verde é formado por ilhas e é preciso mudar os nossos hábitos com urgência e fazer mais para preservar os nossos oceanos. “Somos um povo que vive do mar, mas não com o mar. Precisamos mudar este paradigma porque é o mar que nos liga ao mundo e como povo entre as ilhas. Temos de preservar e acarinhar o mar.”

Veiga começou a sua intervenção agradecendo os mergulhadores, nadadores e voluntários que iriam, logo de seguida, limpar a enseada de coral na praia da Lajinha, uma acção que, frisou, poderia ser estendida às restantes praias da ilha de São Vicente. E com regularidade. “Os nossos oceanos não estão saudáveis e, como consequência, o nosso planeta também. E isso acontece, maioritariamente, por acção humana. Podemos responsabilizar as industrias, os países desenvolvidos e a economia. Mas, por detrás de tudo isso, estamos nós. O impacto e a pegada do ser humano é que tem contribuído para que os nossos oceanos não estejam saudáveis”.

Para reverter este cenário, desafiou cada um dos presentes a fazer diferente, começando com gestos simples, como por exemplo, mudar a maneira como utiliza o plástico e deixar de fumar ou de descartar beatas no chão. Mas, sobretudo a sensibilizar, sobretudo os mais jovens, a mudar de atitudes para que evitar o cenário previsto para 2050 em que, dizem os cientistas, o lixo marinho ultrapassará os seres marinhos nos oceanos. “A pesca também é um problema, mas isso acontece porque há demanda. O Governo e o ministério da Economia têm de elaborar e implementar legislação, aumentar a fiscalização e proteger os oceanos e, ao mesmo tempo, utilizar os seus recursos de forma sustentável. É este equilíbrio que estamos a tentar conseguir. Mas isso implica uma mudança de mentalidade.”

É neste quadro que, diz, surge a Economia azul que prioriza o ambiente e a sua protecção. Mas também demanda solução para o lixo que se produz e exige que se reponha tudo aquilo que é extraído dos oceanos. Por exemplo, a nível da pesca, é preciso fazer uma gestão sustentável dos recursos para que as próximas gerações não sejam confrontadas com a falta de peixe. “A urgência e vontade de ver resultados é imediato. Mas este é um processo que exige planeamento e mudança de atitude. Há cinco teríamos menos pessoas aqui. Os ongs e ambientalistas eram menos ouvidos. Tínhamos menos consciências daquilo que estamos a fazer aos nossos oceanos. A mensagem que quero passar aqui é que todos somos importantes. Cabo Verde é mais mar do que terra e temos de o proteger. A nossa voz precisa ser ouvida.”

Uma das muitas instituições e associações que está a colaborar com o ministério das Economia neste dia é a Escola de Natação Nhô Fula que, de entre outras actividades, ministrou uma aula de natação com base na respiração. “É importante saber respirar no mar. Também ensinamos as pessoas a fazer flutuação dorsal ou de sobrevivência. Quando uma pessoa está no mar, numa situação de risco e que já nadou muito, tem de saber flutuar para descansar. Fizemos também uma demonstração de salvamento a um afogado e uma mini-prova de natação com pessoas portadoras de deficiências visual e outras deficiências”, enumera Silas Leite.

Com 20 anos de existência, a ENAF renasce após algum tempo de inércia nova dinâmica, segundo o seu presidente. É que, diz Silas Leite, a natação em Cabo Verde, mais do que educação e desporto, é um suporte básico de vida na água. É ainda um requisito de peso no acesso as funções marítimas. “Estivemos em baixo porque somos uma associação com poucos recursos. Quando iniciamos, há 20 anos, disseram-nos para desistir por causa das dificuldades. Acreditamos porque entendemos que ensinar as pessoas a nadar é importante. Pela Enaf passaram mais de dois mil pessoas que tiveram a oportunidade de aprender a nadar. Descobrimos parcerias em Portugal e nos EUA. Já enviamos estudantes para fora para fazer intercâmbios na questão do salvamento aquático. Este ano vamos reiniciar com uma formação média em Portugal de dupla certificação, que é inédito em Cabo Verde. Estamos vivos e dinâmicos. Vamos continuar o nosso trabalho”, afirmou.

Contentor lixo

Do programa, que se estende por todo o dia, consta ainda a instalação de um contentor em forma de peixe na Laginha para a recolha de lixo plástico – ideia que será repetida em outras praias do país -, sendo que o material colectado será enviado para a fabrica de azulejos de Santo Antão, palestras versando sobre a pesca predatória e sobre impacto do plástico e de outros resíduos na fauna marítima, informações sobre o mecanismo de formação das ondas e sobre a transição e desenvolvimento da Economia Azul, entre outros. Para o período de tarde será apresentada a Enseada de Coral da Laginha – Um oceanário natural do Mindelo, seguido de uma sessão de perguntas e esclarecimento, e o Projecto Cabana Ecológica.

Constânça de Pina

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