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Cabo Verde recebe viaturas e materiais militares oferecidos por Luxemburgo e transportados por navio da marinha portuguesa

A Guarda Costeira de Cabo Verde recebeu hoje das mãos da encarregada de Negócios de Luxemburgo as chaves de quatro viaturas e um conjunto de materiais militares oferecidos pelo Grão-Ducado e transportados pelo navio da marinha portuguesa Álvares Cabral. Na ocasião, o ministro da Defesa agradeceu em nome do Primeiro-ministro e em seu nome próprio este “gesto de cooperação para com o arquipélago” que, frisou, vem na sequência do acordo trilateral assinado em Agosto de 2018 entre os ministérios da Defesa de Portugal, Luxemburgo e Cabo Verde. Luís Filipe Tavares anunciou ainda o início hoje de exercícios militares conjunto com a marinha portuguesa nas águas territoriais nacionais e no Golfe da Guiné.

Na sua intervenção, o ministro da Defesa começou para destacar as relações históricas e antigas com Luxemburgo, país que acolhe uma importante comunidade cabo-verdiana.  Sobre este donativo de viaturas e equipamentos, citou a embaixadora de Portugal, Helena Paiva, que afirmou que a segurança nesta zona do Atlântico é fulcral para a segurança internacional. “Cabo Verde, através do Plano Estratégico da Guarda Costeira, dá a maior importância a esta cooperação trilateral. Vamos tudo fazer para intensificar as nossas relações, modernizando as nossas Forças Armadas. Este é um objectivo estratégico do Governo de Cabo Verde”, salienta.

Neste sentido, Tavares agradeceu a Portugal por ter proporcionado este dia a Cabo Verde que, garantiu, vai ficar na história da Guarda Costeira. “O Atlântico Sul, Médio e Norte tem desafios imensos. Falamos da circulação de mercadorias, de pessoas e bens, mas também das ameaças que pairam sobre estas regiões. Cabo Verde, através da cooperação com países amigos, caso do Brasil, Senegal, Portugal, Luxemburgo, França, Reino Unido, Itália e vários outros parceiros, vem desenvolvendo um conjunto de projectos e programas para tornar estas três regiões mais tranquilas e seguras ao tráfego internacional de mercadorias”, pontuou, ao mesmo tempo que destaca uma viragem na cooperação entre Cabo Verde, Luxemburgo e Portugal que, em termos práticos e concretos, representa mais de 160 milhões de euros.

Desafios de carácter transnacional

Também a encarregada fez uma incursão histórica sobre a cooperação de longa data Luxemburgo-Cabo Verde, que vem aprofundando desde os anos oitenta. “Começamos com uma cooperação para o desenvolvimento levado a cabo por organizações não-governamentais, que tem vindo a diversificar. Agora temos ligações não só políticas, mas também culturais e económicas. E desde Agosto de 2018 temos uma inovadora cooperação no âmbito da Defesa”, referiu, lembrando que se vive num mundo globalizado, onde os países estão cada vez mais próximos. Reduziram-se as distâncias culturais e geográficas, mas isso trouxe desafios de caracter transnacional, afirma.

No caso de Cabo Verde, prossegue Angéle da Cruz, a segurança marítima é um desafio particular, que apenas poderá ser limitada através de acções concertadas com os seus vizinhos, parceiros e, em especial, com os seus amigos. Esta é a razão desta cooperação trilateral no domínio da defesa, que levará o Grão-Ducado a doar, numa primeira faze, 400 mil euros para o período 2018-2019, para que Cabo Verde possa custear a formação de militares da Guarda Costeira nacional em Portugal, aquisição de materiais destinados ao Centro Marítimo COSMAR, bem como outras actividades.  

“Para além deste projecto, Luxemburgo propôs doar a Cabo Verde quatro viaturas e equipamentos para a Guarda Costeira. Acreditamos com isso proporcionar uma boa ocasião para aprofundar ainda mais a cooperação trilateral, uma vez que Portugal se ofereceu para transportar todos estes materiais no navio NRP Álvares Cabral, gesto que agradecemos. Esperamos que estes materiais possam servir da melhor forma Cabo Verde e os seus cidadãos e que nos permita a todos viver num mundo mais seguro”, frisou.

A embaixadora de Portugal em Cabo Verde realçou, por seu turno, a importância das alianças entre as nações, inclusive de Portugal, no domínio da Defesa, nos tempos que correm. “Num mundo cada vez mais exigente, as cooperações nas mais diversas áreas permitem alcançar sinergias para fazer frente a escassez de recursos fundamentais para alcançar a maior eficiência possível, permitindo ultrapassar desideratos que, sozinhos, a maior parte dos países não conseguiria resolver. Em nome de Portugal congratulo com esta entrega de equipamentos oferecidos pelo Grão-Ducado, o que representa mais um passo na consolidação do Acordo de Cooperação Trilateral, assinado entre Cabo Verde, Portugal e Luxemburgo e o contributo que representa para este país e as suas FA, nomeadamente a Guarda Costeira, entidade a qual compete preservar os seus recursos marítimos”, declarou.

Helena Paiva falou ainda da importante posição geográfica de Cabo Verde, na confluência das rotas marítimas para Europa, África e América que, diz, são fundamentais para a economia global, mas enfrentam um conjunto de ameaças para a segurança marítima, que constituem graves ameaças ao comércio e a segurança internacional. Parafraseando o ministro da Defesa de PT, quando da assinatura deste quadro de cooperação, Paiva afirmou: “se Cabo Verde estiver seguro, a Europa estará mais segura”.

Para além do ministro da Defesa, da Encarregada de Negócios do Luxemburgo e da embaixadora de Portugal, testemunharam o acto o Director Nacional da Defesa, o Chefe de Estado-Maior das FA, representantes de instituições sediados em São Vicente, de entre outros.

Constânça de Pina

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