Albino Sequeira, promotor da Expo-Cabo Verde em Italia: Dois dias para celebrar a identidade cabo-verdiana na Itália

A segunda edição da Expo Cabo Verde, idealizada pelo presidente da Associação Amigos de Aprilia, Albino Sequeira, realiza-se nos dias 17 e 18 de outubro para assinalar o Dia Nacional da Cultura e das Comunidades. O projeto tem como objetivo principal promover a cultura, a identidade e o empreendedorismo cabo-verdiano junto da comunidade residente e do público italiano, e não só. Pretende preservar e transmitir as tradições do arquipélago às novas gerações residentes na diáspora e ao mesmo tempo reforçar os laços de amizade e cooperação bilateral entre Cabo Verde e a Itália. Ema conversa com Albino Sequeira vamos descobrir e conhecer melhor este grande.
-Maria de Lourdes Jesus –
Mindelinsite: Como nasceu e qual è o objectivo do projeto Expo-Cabo Verde?
Albino Sequeira: O projeto Expo Cabo Verde nasceu da vontade da Associação Amigos de Aprilia de fazer mais pela comunidade cabo-verdiana residente em Itália e de dar a conhecer Cabo Verde para além das suas fronteiras. Sentimos que era importante criar um espaço onde pudéssemos mostrar aquilo que temos de melhor: a nossa cultura, a nossa gastronomia, a nossa música, o nosso artesanato, os nossos produtos tradicionais e a capacidade empreendedora do nosso povo. O projecto surgiu também com o propósito de valorizar as tradições cabo-verdianas, promover o intercâmbio cultural e criar oportunidades para pequenos produtores e artistas, com a ambição de aproximar as associações cabo-verdianas existentes em Itália e de reforçar o espírito de união entre a nossa comunidade.
– Qual é o principal objetivo da Expo Cabo Verde?
– O nosso objetivo vai muito além de organizar uma feira ou um festival cultural. Queremos construir uma ponte entre Cabo Verde e Itália. Pretendemos promover a identidade cabo-verdiana, preservar as nossas tradições junto das novas gerações nascidas ou criadas na diáspora e dar a conhecer ao público italiano a riqueza cultural do nosso país. Queremos também criar oportunidades para os empresários, comerciantes, pequenos produtores, artistas e artesãos cabo-verdianos, incentivando o empreendedorismo e a criação de novas relações comerciais.
Outro objetivo muito importante é aproximar as instituições, as associações e os cidadãos dos dois países, criando um espaço de encontro, diálogo, cooperação e amizade. Acreditamos que Cabo Verde tem muito para oferecer, não apenas através da sua música e gastronomia, mas também através do talento, da criatividade, do trabalho e da capacidade dos seus cidadãos.
–Quais são as novidades da segunda edição em relação ao ano passado?
A segunda edição representa um passo em frente na consolidação do projeto. Se, na primeira edição, demos os primeiros passos para apresentar a riqueza cultural e gastronómica de Cabo Verde, este ano queremos alargar essa experiência e dar-lhe uma dimensão ainda mais abrangente. Temos um programa cultural alargado, com artistas, música ao vivo, danças tradicionais, batucada, mazurca, batuque e momentos de valorização da nossa história e das nossas tradições. Damos também especial atenção à gastronomia, com demonstrações de preparação de pratos tradicionais.
Outra novidade é o reforço da componente empresarial, com a promoção de produtos, artesanato, iniciativas e oportunidades de negócio. Queremos que a Expo seja também um espaço onde os empreendedores possam apresentar o seu trabalho, estabelecer contactos e encontrar novas possibilidades de colaboração. A participação de artistas, associações e representantes institucionais contribui igualmente para alargar o alcance do evento e reforçar as relações entre Cabo Verde e Itália.
A Expo Cabo Verde é um projeto que queremos fazer crescer ano após ano. Não queremos que seja apenas um acontecimento de dois dias, mas sim uma iniciativa com continuidade, capaz de valorizar Cabo Verde, fortalecer a nossa diáspora e criar oportunidades reais para a nossa comunidade.
Este projeto é também uma demonstração de que, quando existe vontade, coragem, dedicação e espírito de união, conseguimos levar o nome de Cabo Verde mais longe. A Expo Cabo Verde é de todos nós, porque a cultura, a identidade e o desenvolvimento do nosso país são uma responsabilidade partilhada. Vamos agora apresentar detalhadamente o programa, tanto do ponto de vista cultural e empresarial, como musical, gastronómico, artesanal.

– Fale-nos da vertente cultural da Expo-Cabo Verde em Itália?
– O público terá a oportunidade de conhecer melhor as ilhas, as suas tradições, a história do povo cabo-verdiano e os elementos que fazem da nossa identidade cultural um património de grande valor. Outro momento importante será a apresentação de Agostinho Santos, escritor e professor universitário, sobre “A História da Cachupa”, permitindo valorizar um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia nacional enquanto elemento de memória, identidade e transmissão cultural. A apresentação audiovisual dedicada ao turismo, à cultura e ao património permitirá destacar as belezas naturais do arquipélago, as tradições locais e o potencial de Cabo Verde enquanto destino turístico.
– Vertente Empresarial
– Dar visibilidade aos empreendedores cabo-verdianos que desenvolvem a sua atividade na Itália e noutros países. Criar contactos comerciais e estabelecer novas parcerias. Incentivar investimentos e a criação de novas oportunidades de negócio entre Cabo Verde e Itália. Promover produtos de origem cabo-verdiana e iniciativas empresariais ligadas à comunidade. Queremos demonstrar que a comunidade cabo-verdiana não se distingue apenas pela sua cultura e pelas suas tradições, mas também pela sua capacidade de trabalho, inovação, iniciativa e contribuição para o desenvolvimento económico.
A Expo é, assim, um espaço onde a cultura se encontra com a economia e onde os contactos de hoje podem transformar-se nas oportunidades de amanhã.
– Vertente Musical?
– A música cabo-verdiana ocupa um lugar especial na programação, porque representa uma das expressões mais reconhecidas da nossa identidade cultural.
Durante a Expo, os momentos musicais permitirão celebrar a diversidade dos ritmos cabo-verdianos, proporcionando ao público uma experiência marcada pela emoção, pela alegria e pela partilha.
A presença de artistas convidados, entre os quais Mileine Reis, contribuirá para dar vida ao programa e aproximar diferentes gerações através da música. A iniciativa pretende valorizar os artistas, dar-lhes visibilidade e mostrar que a música cabo-verdiana continua a atravessar fronteiras, mantendo vivas as ligações entre Cabo Verde, a diáspora e as novas gerações.
– Vertente gastronómico
– A gastronomia será um dos grandes pontos de encontro da Expo. Através dos sabores, dos aromas e das receitas tradicionais, queremos proporcionar aos visitantes um contacto direto com a cozinha cabo-verdiana. A cachupa, símbolo de convívio e tradição, terá um lugar de destaque, acompanhada por outras especialidades que representam a diversidade gastronómica das ilhas.
Esta vertente permite divulgar a cozinha tradicional cabo-verdiana junto da comunidade italiana e de outras nacionalidades; valorizar o trabalho de cozinheiros, produtores e pequenos empresários.; promover os produtos e ingredientes associados à nossa culinária; criar momentos de convívio entre famílias, visitantes, expositores e convidados.
A gastronomia é também uma forma de contar histórias: cada prato transporta consigo memórias familiares, costumes e tradições transmitidas de geração em geração. O escritor e professor universitário Agostinho Santos vai apresentar o
tema «A História da Cachupa», valorizando a gastronomia como parte da história, da memória e da identidade do povo cabo-verdiano.
– Vertente Artesanal
A Expo pretende criar um espaço de visibilidade para artesãos e criadores, permitindo-lhes apresentar os seus trabalhos, divulgar as suas técnicas e estabelecer contacto direto com potenciais compradores. Entre os objetivos desta vertente estão a valorização dos saberes tradicionais, o incentivo à produção artesanal e a criação de oportunidades para pequenos negócios.
Cada peça artesanal representa uma história, uma técnica e uma expressão de identidade. Promover o artesanato é, por isso, preservar o património cultural e, simultaneamente, apoiar quem transforma o talento numa atividade económica.
Vertente Tradicional
A dança tradicional será outro dos momentos de destaque da Expo, através da valorização dos ritmos, dos movimentos e das expressões artísticas que fazem parte da história de Cabo Verde. A programação inclui a mazurca, uma dança tradicional associada à herança cultural de algumas ilhas, e um desfile inspirado no samba e no Carnaval, com a participação de Ory Pires acompanhado pela Batucada.
Estes momentos pretendem mostrar a diversidade das manifestações culturais cabo-verdianas, promovendo a participação do público e criando uma ligação entre a tradição e as expressões artísticas contemporâneas. A dança não é apenas entretenimento. É memória, identidade, comunicação e transmissão de valores culturais às novas gerações.
Participantes no evento da Expo-Cabo Verde
– Estevao Tavares Vaz – Embaixador de Cabo Verde; Armindo da Luz — Presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santo Antão; Francisco Pereira — Deputado da Nação; Marilena Rocha — Conselheira da República de Cabo Verde; Jorge Canifa 1° Secretario de PAICV – Italia; Marisia Lopes — Deputada suplente do MpD pela Europa; Edna Lopes — Cônsul Honorária de Cabo Verde em Milão e Vice-cônsul do Consulado de Cabo Verde em Nice; Maria João — Associação Racines du Cap-Vert, França, representantes políticos, associativos e convidados da comunidade.








